Euro tem recuperação após atingir mínima em quase 10 anos ante iene

Volume de negócios com moedas fortes caiu drasticamentem, atingindo metade do giro habitual

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

20 de maio de 2010 | 18h33

O euro beneficiou-se da tendência do mercado em meio a uma fuga de ativos de risco mais elevado, fechou em alta ante o dólar e recuperou-se das mínimas em nove anos e meio ante o iene.

Em um mercado extremamente nervoso com os temores de que a crise da dívida soberana na periferia da zona do euro atravesse fronteiras e prejudique a recuperação econômica, os investidores afastaram-se do mercado de câmbio nesta quinta-feira.

O volume de negócios com as moedas mais fortes girou em torno da metade do que normalmente é, disse Sebastien Galy, estrategista cambial do BNP Paribas em Nova York.

Segundo analistas, o nervosismo dos investidores provocou a falta de liquidez nos mercados de câmbio. Na quarta-feira havia comentários sobre a possibilidade de uma intervenção de bancos centrais para conter o declínio rápido e acentuado do euro. Apesar de tal medida ser considerada cada vez mais improvável, o rumor afetou o comportamento dos investidores.

Hoje, o Tesouro dos EUA não quis comentar as especulações do mercado sobre uma suposta intervenção do Grupo dos Sete no mercado de câmbio. O Federal Reserve também não se pronunciou sobre o assunto.

A falta de liquidez amplificou o impacto de negócios menores, disse Galy, e é possível que tenham sido justamente negócios menores que provocaram a alta do euro, disparando ordens de compra preestabelecidas para investidores que apostavam contra a moeda comum europeia. As posições vendidas - ou apostas contra o euro - alcançaram níveis recorde nas últimas semanas.

O movimento de hoje ajudou a levar o euro acima do nível de US$ 1,25, observou Brian Kim, estrategista cambial do UBS.

Assim que o euro passou desse nível, investidores que haviam obtido lucro apostando contra o euro, que caiu acentuadamente nos últimos dias, provavelmente embarcaram no trem e tiraram seu dinheiro da jogada, disse Michael Mahoney, vice-presidente de negócios cambiais do Union Bank em Los Angeles.

No entanto, a moeda comum não está fora de perigo, diz Mahoney, pois problemas de longo prazo, como a crise da dívida da Grécia, ainda não foram solucionados. Por conta disto, acredita ele, a expectativa é de que os investidores voltem a apostar contra o euro, fazendo-o cair novamente.

Ao passo que o euro ganhava terreno ante outras moedas fortes no decorrer do dia, temores de que a crise na zona do euro prejudique a recuperação econômica global derrubou as chamadas moedas-commodity. O dólar australiano caiu quase 3,5% ante o dólar norte-americano e o dólar canadense perdeu mais de 2% frente à moeda do país vizinho.

Antes de iniciar sua recuperação, o euro chegou a ir abaixo de 110 ienes, sua cotação mais baixa ante a moeda japonesa em nove anos e meio. No fim da tarde, o euro reduzia as perdas, sendo cotado a 111,75 ienes, de 113,41 ontem.

No fim da tarde, em Nova York, o euro era negociado a US$ 1,2480, de US$ 1,2391 ontem; o dólar era cotado a 89,52 ienes, de 91,54 ienes na ontem; a libra estava em US$ 1,4392, de US$ 1,4415 ontem. As informações são da Dow Jones.

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