Europa avança com expectativa de menor pressão alemã sobre Grécia

Indicações de que o governo grego concordou com novas medidas de austeridade para garantir a próxima parcela do empréstimo e de que um novo pacote está próximo de ser acordado sustentam bolsas e euro

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

31 de maio de 2011 | 08h10

As bolsas europeias e o euro têm ganhos fortes nesta terça-feira, amaparados em indicações de que a Grécia concordou com novas medidas de austeridades para garantir a próxima tranche do empréstimo da União Europeia e do FMI e de que uma nova ajuda está próxima de ser acordada após a Alemanha diminuir a pressão por um reescalonamento da dívida do país.

A Grécia está disposta a adotar um plano fiscal de médio prazo que inclui corte nos benefícios aos servidores, extensão ao setor público do congelamento dos salários, limites as novas contratações e restrições ao programa de investimento de capital. Paralelamente o Wall Street Journal informou ontem, citando fontes familiarizadas com o assunto, que a Alemanha está considerando abandonar sua pressão por um reescalonamento dos bônus gregos com o objetivo de facilitar um novo pacote de empréstimos para a Grécia. A informação somou-se as declarações, também de ontem, do presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, de que até o fim de junho deve ser apresentada uma solução para a Grécia.

Como resultado, os investidores saem de ativos seguros como os títulos do Tesouro e do franco suíço e vão em direção as ações e ao euro. Às 8h15 (de Brasília), a Bolsa de Londres subia 0,92%, enquanto Frankfurt e Paris avançavam 2,01% e 1,58%, respectivamente.

O euro operava a US$ 1,4404, de US$ 1,4282 no fim do dia de ontem em Nova York. O dólar avançava a 81,56 ienes, de 80,94 ienes ontem. O euro atingiu sua maior cotação em três semanas frente ao dólar com a notícia da Alemanha. O iene, por sua vez, perdeu terreno com o anúncio da Moody's de que colocou o rating do Japão em revisão para possível rebaixamento. A pressão de venda contra o dólar favorecia as commodities, com petróleo WTI subindo 1,64% para US$ 102,34 o barril no mesmo horário.

Apesar dos ganhos expressivos dos ativos e da indicação de que uma solução sobre um novo pacote de ajuda para a Grécia é iminente, traders advertem que um número de questões ainda está em discussão e que a reestruturação da dívida grega ainda não pode ser completamente descartada. "O que ainda está nebuloso também é a reação das agências de rating e se as condições para o recebimento de um novo pacote terá aceitação nas ruas de Atenas", disse um estrategista. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.