Europa fecha em baixa com risco por referendo na Crimeia

Aproximação do referendo sobre possível independência da Crimeia na Ucrânia levou índice Stoxx Europe 600 a fechar em baixa de 0,70%

Lucas Hirata, da Agência Estado, com informações da Dow Jones Newswires,

14 de março de 2014 | 14h53

Os mercados de ações da Europa fecharam em baixa nesta sexta-feira, 14, com exceção da Bolsa de Frankfurt, que avançou em uma sessão bastante volátil. A tendência de baixa foi marcada pela aversão ao risco entre os investidores desencadeada pela aproximação do referendo sobre a eventual independência da região da Crimeia na Ucrânia. Além disso, as bolsas também mostraram cautela sobre uma possível desaceleração econômica na China.

O índice Stoxx Europe 600 fechou em baixa de 0,70%, aos 322,23 pontos, levando a uma queda de 3,3% na semana. Este foi o maior recuo semanal desde junho do ano passado.

Líderes do governo atual em Kiev criticam a realização do referendo e questionam o valor legal da votação programada para o domingo, 16. Washington e Bruxelas também questionam a consulta popular e criticam a Rússia por potencializar as diferenças na região. Moscou, por sua vez, nega que esteja influenciando o processo e que tenha enviado soldados russos para a área.

A Crimeia é uma região historicamente ligada à Rússia, mas é parte do território da Ucrânia. Lideranças locais pró-Moscou querem usar o referendo para endossar eventual processo de unificação à Rússia. Caso os votos aprovem a anexação da região à Rússia, os aliados ocidentais já alertaram que podem aplicar uma rodada de sanções contra Moscou.

Outro foco de preocupação foi a China. Investidores acompanham de perto o noticiário corporativo chinês e o risco de que novas empresas podem anunciar o calote. Após o aviso do não pagamento de compromissos pela Shanghai Chaori Solar Energy, economistas dizem que outras empresas, como a siderúrgica Haixin, já teriam deixado de quitar compromissos nos últimos dias.

Enquanto investidores acompanham empresas, declarações do primeiro-ministro da China, Li Keqiang, reforçaram essas preocupações. Ontem, o líder chinês disse que alguns calotes serão "inevitáveis", mas Pequim agirá para conter os riscos. "Casos de calotes individuais não podem ser evitados. Nós precisamos incrementar a supervisão e lidar com tais casos de maneira oportuna para garantir que não haja risco sistêmico", disse.

A preocupação com os calotes corporativos aumenta a desconfiança dos investidores que já estavam cautelosos com desaceleração do crescimento chinês. A semana foi marcada por dados decepcionantes do país, o que manteve os investidores em alerta. Entre os indicadores, houve uma forte queda nas exportações do país e números de produção industrial, vendas no varejo e investimentos ficaram aquém do esperado.

Com isso, o índice CAC 40, da Bolsa de Paris, fechou em baixa de 0,80%, aos 4216,37 pontos, o nível mais baixo desde o começo de fevereiro. A queda semanal do índice francês foi de 3,44%, o maior recuo porcentual desde a semana encerrada em 24 de janeiro.

No noticiário corporativo, as ações do conglomerado Bouygues cederam 2,93% em meio a novos desdobramentos do plano da empresa em comprar a unidade de telefonia da Vivendi. O ministro da Indústria da França, Arnaud Montebourg, disse que o conselho da Vivendi prefere a oferta da companhia Altice para comprar uma participação majoritária em sua unidade de telefonia SFR, em vez da oferta rival da Bouygues. As ações da Vivendi fecharam com ganho 0,2%.

Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou em queda de 0,4%, aos 6527,89 pontos, com uma baixa semanal de 2,75%. O índice FTSE Mib, de Milão, perdeu 1,19%, para 20346,57 pontos, o que levou a uma queda de 1,40% na semana. O IBEX 35, de Madri, cedeu 1,39% nesta sexta-feira, aos 9812,00 pontos, com baixa semanal de 3,47%. Já o índice PSI 20, de Lisboa, declinou 0,50%, para 7317,03 pontos, o que resultou em uma perda de 2,11% na semana.

A exceção desta sexta-feira foi a Bolsa de Frankfurt, que fechou em alta de 0,43%, aos 9056,41 pontos. No entanto, o ganho não foi suficiente para afastar as perdas das demais sessões, resultando em uma baixa semanal de 3,15%. Entre os principais motores alemães, as ações da Bayer subiram 2,1% e as do Deutsche Post ganharam 1,8%.

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