Europa recua com tensão egípcia

Há  temores de que os protestos no Egito possam se espalhar para outros países da região, tendo impacto sobre as grandes economias globais

Regina Cardeal, da Agência Estado,

31 de janeiro de 2011 | 08h53

 As bolsas europeias abriram em queda nesta segunda-feira, em meio aos temores de que os protestos no Egito possam se espalhar para outros países da região, tendo impacto sobre as grandes economias globais. Às 8h56 (de Brasília), o índice FTSE 100, da Londres, cedia 0,22, o CAC-40, de Paris, recuava 0,27%, e o DAX, de Frankfurt, cedia 0,39%.

No Egito - o centro da onda de protestos políticos no Norte da África - o mercado acionário permanece fechado. O índice EGX 30 caiu quase 11% na quinta-feira, depois de recuar mais de 6% na sessão anterior, em meio à escalada da tensão política.

Isso levou a Moody´s a rebaixar a classificação dos bônus do governo do Egito para Ba2, de Ba1, e mudar sua perspectiva de estável para negativa.

Analistas temem que o colapso do governo no Egito possa ser um catalisador para a implosão de governos na região, dando lugar a regimes islâmicos hostis ao Ocidente.

O Egito é "um dos principais centros do Oriente Médio; politicamente é um dos únicos dois países árabes que assinaram um acordo de paz com Israel e é um importante aliado do Ocidente", afirmou o Deutsche Bank. Economicamente, é sede do canal de Suez por onde passam 7,5% dos transportes marítimos do mundo.

"Se o governo for derrubado no futuro, então a preocupação será sobre qual regime o substituirá e qual impacto isso terá na atual ordem mundial."

Na Europa, as montadoras e fabricantes de autopeças lideram os declínios, devolvendo os ganhos da semana passada. Daimler cedia 1,6% e BMW estava em queda de 0,8%.

Os bancos também recuam. Société Générale perde 2,9%.

Os investidores vão aguardar o índice de Gerentes de Compra de Chicago nos EUA, que deve ser divulgado às 12h45 (de Brasília).

Com a turbulência no Egito, os preços do petróleo se aproximaram de US$ 100 o barril nesta segunda-feira, antes de cederem à realização de lucro. Às 7h50 (de Brasília), o Brent para março caía 0,23% para US$ 99,20. Sharon Zollner, economista do ANZ Bank em Wellington, disse que o canal de Suez é uma rota chave de distribuição de petróleo. "O temor maior é que a turbulência se espalhe para outros países do Oriente Médio, incluindo até a Arábia Saudita."

No mercado de câmbio europeu, a crise no Egito também desencadeou um movimento maior de cautela. Às 8h56 (de Brasília), o euro era negociado em US$ 1,3639, de US$ 1,3612 na tarde de sexta-feira em Nova York. O dólar estava em 82,20 ienes, de 82,10 ienes na sexta-feira. As informações são da Dow Jones.

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