Europa recua sob expectativa em relação à eleição na Alemanha

Pesquisas mostram que a coalizão governista da chanceler Angela Merkel deve enfrentar uma disputa difícil no próximo domingo

20 de setembro de 2013 | 14h21

As bolsas europeias fecharam majoritariamente em queda, enquanto os investidores avaliavam as declarações de membros do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sobre a redução dos estímulos à economia norte-americana. As ações da região também foram afetadas pelas expectativas em relação às eleições na Alemanha. O índice Stoxx 600 fechou em queda de 0,27%, aos 314,20 pontos, depois de os fortes ganhos da véspera levarem o índice ao maior patamar desde junho de 2008. Na semana, o índice ganhou 0,88%.

Nesta sexta-feira, 20, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, disse à Bloomberg TV que a decisão do banco central norte-americano de manter os estímulos de US$ 85 bilhões por mês em compras de ativos foi "difícil". Uma redução no programa pode ser anunciada na reunião de outubro, segundo ele. Bullard tem direito a voto no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) neste ano.

Ainda no noticiário norte-americano, a Câmara dos Representantes, liderada pelos republicanos, aprovou nesta sexta-feira, 20, um projeto para manter o governo financiado até meados de dezembro, mas o projeto elimina recursos para uma nova lei da saúde. A Casa Branca já alertou anteriormente que Barack Obama vetaria a proposta que elimina o financiamento para a Lei de Saúde Acessível. O impasse entre o financiamento federal e o chamado Obamacare alimenta as expectativas de que haverá uma paralisação do governo norte-americano.

Entre os indicadores econômicos da Europa divulgados hoje, a confiança do consumidor da zona do euro foi a -14,9 em setembro, de -15,6 em agosto. Embora esse tenha sido o décimo mês consecutivo de alta, o número veio praticamente em linha com o esperado pelo mercado e não trouxe impactos sobre as bolsas.

Agora, o foco do continente se volta para as eleições federais na Alemanha, no domingo, 22. Pesquisas mostram que a coalizão governista da chanceler Angela Merkel deve enfrentar uma disputa difícil, com uma estreita vantagem sobre os partidos de oposição, o que pode dificultar a governabilidade.

Liderado por Angela Merkel, o país foi defensor da continuação do euro e o principal apoiador do resgate financeiro aos países periféricos como Portugal, Grécia e Chipre. Para isso, porém, o contribuinte alemão ajudou a pagar a conta, já que parte importante dos recursos oferecidos aos países resgatados saiu indiretamente dos cofres alemães. Diante desse fato, o sentimento contrário ao euro tem crescido na Alemanha.

O índice DAX, da bolsa de Frankfurt, fechou em queda de 0,21%, aos 8.675,73 pontos, mas acumulou alta de 1,74% na semana. Entre os maiores ganhos do dia aparecem as ações do Deutsche Post, em alta de 5,2%. No sentido contrário, as ações da RWE caíram 3,9%, depois de a companhia anunciar o plano de cortar pela metade seus dividendos, enquanto as ações da Adidas perderam 3% após a empresa reduzir suas projeções para o ano.

Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em queda de 0,44%, aos 6.596,43 pontos, pressionado pelas ações das mineradoras. Na semana, o mercado londrino registrou leve alta de 0,19%. Após a forte alta da véspera, os papéis da Vedanta Resources perderam 4,37%, seguidos pela retração de 3,89% nos papéis da Antofagasta e de 3,41% nos da Randgold Resources.

Sem indicadores relevantes no dia, o índice CAC 40, da bolsa de Paris encerrou o dia praticamente estável, com leves perdas de 0,06%, aos 4.203,66 pontos. Na semana, o índice ganhou 2,17%. As ações da ArcelorMittal se destacaram pela queda de 4,24%, em um dia no qual a RBC cortou a recomendação para as ações.

Na contramão do mercado, o índice PSI-20, de Lisboa, fechou o dia em alta de 1,07%, aos 6.044,75 pontos, mas encerrou a semana com leve perda de 0,25%. O índice foi influenciado pelos fortes ganhos das ações da Portugal Telecom, que avançaram 5,23% guiadas pela elevação do preço-alvo da empresa pela Bernstein em 50%. A equipe do Santander também afirmou que os papéis da empresa são os melhores para se posicionar em caso de uma recuperação da economia do país.

Ainda entre os principais mercados europeus, o índice Ibex 35, de Madri, encerrou em alta de 0,20%, aos 9.171,80 pontos, enquanto o FTSE MIB, de Milão, recuou 0,49%, aos 17.970,12 pontos. Na semana, os ganhos foram de 2,57% e de 2,40%, respectivamente. Fonte: Dow Jones Newswires.

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