Europa tem queda em dia de liquidez reduzida

A tendência positiva se manteve em boa parte da sessão desta sexta, mas minutos antes de os mercados fecharem a maioria das bolsas virou e terminou no terreno negativo

Edgar Maciel, da Agência Estado, com informações da Dow Jones Newswires,

29 de novembro de 2013 | 17h01

As principais bolsas europeias operaram com menos força nesta sexta-feira, 29, ainda repercutindo o menor volume de negócios do feriado de Ação de Graças dos Estados Unidos. A tendência positiva se manteve em boa parte da sessão desta sexta, mas minutos antes de os mercados fecharem a maioria das bolsas virou e terminou no terreno negativo.

O dia, entretanto, teve dados favoráveis para a atividade econômica da zona do euro, que diminuíram os riscos de um cenário de deflação e a expectativa de novas medidas de estímulo à economia pelo Banco Central Europeu (BCE). As avaliações positivas pela agência de classificação de risco Standard & Poor''s relacionadas às economias da Espanha e do Chipre também colaboraram para a sustentação dos mercados no período da manhã. O índice Stoxx Europe 600 fechou em queda de 0,1%, aos 325,16 Pontos.

O dia começou com a notícia de que a S&P rebaixou a nota soberana da Holanda de AAA para AA+. Com a piora, Amsterdã agora faz parte do grupo de países europeus que, durante a crise econômica, perderam o triplo A de pelo menos uma das três grandes agências de classificação de risco. O rebaixamento não surpreendeu os analistas, que já estavam em dúvidas sobre a classificação de triplo AAA em função da fragilidade na economia holandesa.

Mesmo com a notícia negativa, o que impulsionou os mercados nesta sexta foram as melhoras nas expectativas para a Espanha e o Chipre. A S&P também anunciou uma melhora da perspectiva da nota da dívida espanhola. O rating passou de negativo para estável, e continua em BBB-. "Há melhora na posição externa da Espanha com o retorno gradual do crescimento econômico. Outras métricas estão se estabilizando, em nossa visão, devido às reformas orçamentárias e estruturais, além das políticas de apoio da zona do euro", diz a agência. Ainda na Europa, a S&P também elevou o rating da dívida de longo prazo do Chipre, de CCC+ para B-.

Além dos ratings, foi divulgado o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) da zona do euro, que teve alta anual de 0,9%. A variação veio em linha com a previsão de analistas consultados pela Dow Jones e afasta a possibilidade de a União Europeia conviver com uma deflação, o que obrigaria ao Banco Central Europeu (BCE) a adotar novas medidas de estímulo à economia.

Em entrevista ao jornal japonês Nikkei, o membro do conselho executivo do BCE Benoít Coeuré disse que, "a princípio", a compra de ativos é um instrumento possível de política monetária na zona do euro, mas não seria uma estratégia correta para a região, dada a perspectiva atual de inflação. Coeuré também reiterou que a instituição vai seguir a orientação para que as taxas de juros permaneçam nos níveis atuais ou até mais baixos por um prolongado período de tempo.

Em linha com a boa notícia da inflação, o número de pessoas desempregadas nos 17 países da zona do euro registrou em outubro a maior queda desde abril de 2011. A taxa recuou para 12,1% em outubro, de 12,2% em setembro, segundo dados da Eurostat. Mesmo com sinais positivos sobre as economias europeias, os principais mercados fecharam em baixa em um dia de pouca liquidez e com realização de lucros após os ganhos expressivos na sessão desta quinta-feira, 28.

O índice FSTEMIB, de Milão, teve a maior queda do dia, fechando em baixa de 0,41%, aos 19.021,48 pontos - a mínima da sessão. Na semana, entretanto, a bolsa teve alta de 1,06%, enquanto no acumulado mensal a queda foi de 1,13%. Os bancos tiveram um dia misto. As ações do Intesa Sanpaolo e UniCredit caíram 0,6% e 1,5%, respectivamente, enquanto os papéis do Banca Monte dei Paschi di Siena ganharam 1,5%. As ações da Telecom Itália estiveram entre os melhores desempenhos do dia, com alta de 4,5%.

Em Madri, o IBEX35 recuou 0,23%, aos 9.837,6 pontos, depois de chegar a subir 0,39%. Na semana, o índice teve ganhos de 1,66%, já em novembro a queda foi de 0,27%. O dia foi de realização de lucro no mercado espanhol depois de o país registrar ganhos na sessão de ontem com as notícias do fim da recessão. Entre os perdedores desta sexta estiveram os bancos. As ações do Caixabank e Banco Popular tiveram queda de 1,4%. Os papéis da Tecnicas subiram 1,3%.

Na França, o índice CAC40 caiu 0,17%, aos 4.295,21 pontos nesta sexta-feira, com alta de 0,39% na semana e de 0,40% no mês. As ações do Crédit Agricole ajudaram a reduzir as perdas do mercado francês e subiram 3,20% após o banco suíço UBS incluir a companhia em uma lista de ações mais rentáveis. Os papéis da Vallourec também foram bastante comercializados e subiram 2,9%.

O índice FSTE, de Londres, fechou em leve baixa de 0,06%, aos 6.650,57 pontos, mantendo a tendência da semana, que encerrou em queda de 0,36%. No mês, as perdas foram de 1,83%. As ações da Aggreko, empresa de aluguel de geradores, tiveram a maior alta da sessão, de 1,97%. Na contramão, a Experian teve a maior queda, com baixa de 2,76%.

A bolsa de Frankfurt sustentou os ganhos do começo da semana e fechou em alta de 0,19% aos 9.405,30 pontos. Durante a sessão, o mercado alemão bateu recorde intraday a 9.424,62 pontos. Na semana, o índice DAX teve ganhos de 2,02% e, no mês, de 4,25%. As ações da K+S lideram as altas, subindo 6,1%, depois de a companhia dizer que espera uma estabilização nos preços do potássio. Os papéis da Lanxess subiram 1,9% e os do Commerzbank tiveram alta de 1,6%.

Em Lisboa, o índice PSI20 somou o maior ganho mensal entre os mercados europeus, subindo 4,85% em novembro. Na semana, também liderou com alta de 2,95%. Já na sessão desta sexta-feira, a bolsa portuguesa teve alta de 0,47%, aos 6.537,77 pontos.

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