Evo defende "preço justo" na negociação com Petrobras

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que se reunirá ainda esta manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, entre outros assuntos, deve colocar na pauta do encontro a questão relativa ao preço do gás natural vendido ao Brasil. Em entrevista à imprensa realizada mais cedo no Hotel Sofitel, na zona sul do Rio, onde está hospedado para participar da Cúpula do Mercosul, Morales evitou citar o preço ideal pleiteado pela Bolívia para o gás natural vendido ao Brasil. Ele disse apenas que espera um "preço justo" e que a Petrobras será tratada com "muito respeito" na negociação.O presidente usou como exemplo para justificar a necessidade de um reajuste no preço do gás o valor pago hoje pela Argentina, de US$ 5 por milhão de BTU (unidade térmica britânica, que mede o poder calorífico do combustível). "Hoje a Argentina paga US$ 5, mas vendemos gás para a térmica de Cuiabá por US$ 1,90. O Brasil é muito compreensivo e muito sensível ao nosso pleito diante de uma diferença como esta. O diálogo está aberto e tecnicamente é provado que subsidiamos o gás para o Brasil", afirmou Evo Morales.O presidente boliviano comentou que o projeto entre Brasil e Venezuela para construir um gasoduto ligando os dois países, possibilidade anunciada ontem, não afeta a Bolívia. "Há mercado para todo esse gás e trabalhamos em clima de bastante companheirismo com Chávez e Lula", disse, citando os dois líderes como "novo comando na América do Sul". "Temos que acabar com assimetrias e pensar em como atender e resolver o problema energético de todos", disse.Evo também comentou sobre o gasoduto entre Bolívia e Argentina que acaba de ter uma licitação para ser ampliado. Apesar de nove empresas apresentarem propostas para o investimento, a demanda prevista não foi atendida. "Conversei com o presidente Kirchner na noite de ontem e tive garantias de que a Argentina tem como pagar este gasoduto", disse. Indagado sobre a falta de interesse de outras empresas em participar da licitação, ele esquivou-se: "Depois da estatização das reservas, tivemos bons contratos assinados com as empresas, que nos garantem novos investimentos", comentou.

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