Executivos da Varig podem ter sigilo bancário quebrado

O Ministério Público do Trabalho (MPT) estuda a possibilidade de pedir a quebra do sigilo bancário de cerca de 20 executivos da Varig. Eles estão sob investigação porque o MPT comprovou, por meio de documentos oficiais da companhia, que houve o pagamento de rescisões trabalhistas de até R$ 150 mil antes mesmo do leilão da Varig, realizado no dia 20 de julho.Isso prova que houve antecipação das indenizações trabalhistas antes do anúncio das demissões, o que é proibido por lei. Enquanto isso, cerca de 9 mil trabalhadores demitidos estão com salários atrasados."Se houver dificuldade na recuperação de documentos, a quebra do sigilo bancário pode ser pedida", afirma o procurador do MPT do Rio, João Hilário Valentim. Ele diz que a investigação está concentrada no levantamento de mais provas para comprovar o favorecimento dos 20 diretores e gerentes. São documentos como termos de rescisão de trabalho, indicando a quantia recebida pela pessoa que foi demitida.Outras linhas de trabalho e de responsabilização que estão sendo consideradas pelo MPT, caso seja efetivamente comprovado o favorecimento dos 20 executivos, é a devolução do dinheiro, que seria usado para amortizar as dívidas trabalhistas. Outra possibilidade é a indenização por dano moral coletivo aos trabalhadores que foram igualmente demitidos, mas que ainda não receberam salários atrasados.Esses pedidos teriam de ser encaminhados ao juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pela recuperação judicial da Varig. O juiz Ayoub, que está em férias, já havia afirmado na quarta-feira ao Estado que é favorável à devolução do dinheiro, caso seja comprovado o favorecimento dos 20 executivos.PagamentoOs pagamentos foram realizados na gestão de Marcelo Bottini como presidente da Varig. Segundo funcionários da empresa, os favorecidos seriam ligados a Bottini à época. O executivo saiu da empresa no final do ano passado e está trabalhando na Aerolíneas Argentinas.De acordo com o MPT, alguns executivos que foram favorecidos foram reaproveitados na nova Varig, que foi homologada como empresa aérea no dia 14 de dezembro. A empresa informa que não houve "gerenciamento administrativo sobre pagamentos trabalhistas" da Varig que permanece em recuperação judicial. Além disso, acrescenta que "qualquer questionamento é de ordem pessoal e envolve o antigo vínculo com o ex-empregador (Varig antiga)".O gestor judicial da Varig que permanece em recuperação judicial, Miguel Dau, assumiu a empresa em agosto do ano passado e promoveu uma auditoria, que apurou irregularidades. Foi produzido um relatório entregue à administradora judicial da Varig, a consultoria Deloitte. Esta, por sua vez, relatou os fatos ao juiz Ayoub. Dau, que já foi vice-presidente da Varig, havia se afastado da companhia na época do leilão e dos favorecimentos."Quando cheguei aqui recebi a informação de que tinha havido privilégios e instaurei uma auditoria interna. Não posso dizer se era irregular ou não, não cabe a mim. Detectei um privilégio e mandei averiguar, todos os fatos foram levantados. Internamente demos por encerrado isso", diz.

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