Expectativa quanto ao Copom norteia negócios com DIs

Mercado continua apostando em novo corte de juros por parte do Comitê de Política Monetária na reunião desta semana

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

17 de abril de 2012 | 17h53

O mercado futuro de juros continua acreditando na possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) rever a estratégia de manter a Selic levemente acima do mínimo histórico, de 8,75% ao ano, e promover novo afrouxamento monetário, ainda que em menor intensidade, após o corte de 0,75 ponto porcentual dado como certo para o encontro desta terça-feira e da quarta-feira.

Para alguns analistas, trata-se apenas de um hedge (proteção) por parte de alguns participantes do mercado, visto que o quadro externo e doméstico não piorou tanto desde a ata da última reunião do Banco central. Há, por outro lado, quem veja em indicadores vacilantes das principais economias e na política do governo de "forçar" a queda dos juros bancários, por meio das instituições públicas, uma lacuna para a continuidade da baixa do juro básico.

Nesta terça-feira, mesmo com a recuperação dos ativos no exterior e com a revisão para cima, pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), das projeções para o crescimento global (de 3,3% para 3,5% em 2012), as taxas curtas e intermediárias registraram alguma devolução de prêmios. O DI janeiro de 2013, com giro de 374.680 contratos, indicava 8,67%, de 8,71% no ajuste. O DI janeiro de 2014 (286.890 contratos) cedia para 9,10%, de 9,14% na véspera. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (37.845 contratos) estava na mínima de 10,22%, de 10,26% ontem, e o DI janeiro de 2021 (5.415 contratos) apontava mínima de 10,72%, de 10,75% no ajuste.

Na Europa, as expectativas econômicas da Alemanha contrariaram as previsões e melhoraram novamente em abril. O índice ZEW subiu para 23,4, de 22,3 em março, ao contrário da previsão dos economistas consultados, de queda para 20,0. E nem mesmo alguns dados abaixo das expectativas nos EUA atrapalharam os negócios. O número de obras de imóveis residenciais iniciadas caiu 5,8% em março, ante projeção de +0,7%.

O Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) divulgou que a produção industrial no país ficou estável pelo segundo mês consecutivo em março, enquanto a expectativa era de aumento de 0,2%. "A alta das commodities e das bolsas poderia sugerir alguma recomposição de prêmios, mas o investidor em juro prefere esperar e ainda fazer um hedge para a continuidade de afrouxamento", ponderou um operador.

Por aqui, o IPC da Fipe acelerou para 0,24% na segunda quadrissemana de abril, ante +0,14% no primeiro levantamento do mês. O índice ficou acima da mediana encontrada em levantamento do AE Projeções, de 0,19%. A Fipe projeta taxa de 0,49% ao fim deste mês. Ainda assim, a inflação acumulada pelo indicador na capital paulista no período de 12 meses cairia para um nível em torno de 4,20%.

No mercado de títulos, o Ministério da Fazenda anunciou uma emissão de bônus Global denominado em real para 2024, simultaneamente com recompra de bônus da República denominados em reais com vencimento em 2016 e 2022. Esses bônus de 2016 e 2022 carregam um cupom de juros elevado, de 12,50% ao ano. A taxa desses papéis é paga semestralmente ao detentor do título. De acordo com uma fonte ouvida pela Agência Estado, o retorno oferecido no novo papel deve ser de 8,75%.

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