Exterior conduz alta e dólar à vista atinge R$ 2,269

A alta do dólar no exterior, após o anúncio de dados positivos sobre a geração de vagas no setor privado dos Estados Unidos, abriu espaço nesta quarta-feira, 03, para o avanço da moeda norte-americana no Brasil. Mesmo após o anúncio da desaceleração no setor de serviços dos EUA, o dólar permaneceu em alta ante o real, em uma sessão de liquidez reduzida.

FABRÍCIO DE CASTRO, Agencia Estado

03 de julho de 2013 | 16h48

Os dados de fluxo cambial, em saíram à tarde, mostraram saída líquida de dólares do País em junho, mas não chegaram a influenciar de forma decisiva o avanço da moeda. No fim do dia, o dólar à vista negociado no balcão apontou alta de 0,89%, cotado a R$ 2,269.

Na máxima, às 9h21, a cotação atingiu R$ 2,2710 (+0,98%) e, na mínima, às 12h15, R$ 2,2580 (+0,40%). Perto das 16h30 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 1,018 bilhão. No mercado futuro, o dólar para agosto valia R$ 2,2800, em alta de 0,48%.

Pela manhã, a Automatic Data Processing (ADP) informou que o setor privado dos EUA criou 188 mil empregos em junho. O dado superou a previsão dos analistas, que esperavam geração de 160 mil vagas. Como vem ocorrendo nos últimos tempos, os números positivos sobre a economia norte-americana trouxeram um viés de alta para o dólar, em meio à percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central do país) poderá iniciar a redução de seu programa de incentivos em um futuro próximo.

Mais tarde, quando o Instituto para Gestão de Oferta (ISM) divulgou queda em seu índice de atividade do setor de serviços, de 53,7 em maio para 52,2 em junho, parte do ímpeto de alta da divisa foi contido. No Brasil, após chegar bater a máxima, chegou à mínima de R$ 2,2580. À tarde, voltou a ganhar força ante o real.

"Os indicadores da manhã fizeram o dólar subir. Mas o mercado também está meio travado há dias, com pouco movimento", comentou profissional da mesa de câmbio de um banco. Segundo ele, nem mesmo os dados de fluxo cambial em junho fizeram preço.

O Banco Central informou que o fluxo cambial no mês passado foi negativo em US$ 2,636 bilhões. No segmento financeiro, que inclui investimentos estrangeiros e remessas de lucros, entre outras operações, o saldo de junho ficou negativo em US$ 771 milhões. Já as operações comerciais mostraram resultado negativo líquido de US$ 1,865 bilhão no mês passado. "O fluxo foi ruim, confirmando que a conta comercial deve seguir negativa, passada a fase mais intensa de negociação da safra brasileira", comentou Sidney Nehme, sócio da NGO Corretora.

Chamou a atenção o fato de o dólar ter operado acima de R$ 2,27 e perto deste patamar durante boa parte da sessão, sem que o BC entrasse nos negócios. Profissionais não descartavam leilões de swap (equivalente à venda de dólares no mercado futuro), por exemplo, mas alguns eram céticos quanto aos possíveis resultados.

"A alta do dólar vem lá de fora. Até por isso o BC não entra, porque isso é como enxugar gelo. O BC tem mesmo que esperar as coisas se tranquilizarem lá fora, mas isso vai depender da China, de Portugal, do Egito e do Fed", enumerou Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora, ressaltando o ambiente externo turbulento nos últimos dias.

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