Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Exterior negativo limita ganhos e Bolsa fecha em alta de 0,1%

Expectativa de liberação de recursos do FGTS levou o Ibovespa aos 103,9 mil pontos e encerrou o ciclo de baixas dos quatro pregões anteriores

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

17 de julho de 2019 | 18h17

O índice Bovespa hesitou ao longo de todo o pregão desta quarta-feira e voltou a fechar perto da estabilidade. Desta vez, teve um ganho tímido, de 0,08%, aos 103.855,53 pontos, encerrando o ciclo de baixas dos quatro pregões anteriores. A leve alta foi na contramão das bolsas de Nova York, que caíram moderadamente.

Já o dólar voltou a cair, após subir nos dois primeiros dias da semana. A moeda americana aqui operou em linha com o exterior, dia de enfraquecimento do dólar no mercado internacional após dados fracos do mercado imobiliário americano. O dólar à vista fechou em queda de 0,28%, a R$ 3,7604.

Liberação do FGTS

O descolamento das bolsas de Nova York foi favorecido pelo bom desempenho das ações dos setores de consumo e imobiliário, impulsionadas pela expectativa de liberação parcial de recursos das contas ativas do FGTS. A injeção de R$ 42 bilhões à economia foi bem recebida, mas seus efeitos ficaram restritos aos setores mais beneficiados no curto prazo. 

O Iconsumo (ICON), que reúne 53 ações do setor de consumo cíclico e não cíclico, subiu 0,54%. O índice do setor imobiliário foi um pouco além, com ganho de 0,74%. O setor elétrico também deu sua contribuição, com a notícia de que o governo prepara projeto para viabilizar a privatização da Eletrobrás. As ações da estatal terminaram o dia com ganhos de 3,99% (ON) e 3,88% (PNB).

As notícias de que o governo prepara medidas para estimular a economia tiveram repercussão positiva em certo papéis na Bolsa, mas no mercado de câmbio foram apenas monitoradas, sem maiores efeitos nas cotações.

Tensão comercial preocupa

Segundo analistas, o desempenho do mercado brasileiro teria sido melhor não fossem as quedas nas bolsas de bolsas de Nova York, que limitaram uma recuperação das baixas dos últimos dias. Desde cedo, dados decepcionantes do setor imobiliário americano e receios quanto às relações comerciais entre Estados Unidos e China determinaram o viés negativo dos índices em Wall Street.

À tarde, o Livro Bege, relatório do Federal Reserve sobre o estado da economia americana, apontou que empresários americanos estão preocupados com o possível impacto negativo das tensões comerciais sobre a economia dos Estados Unidos. Na avaliação dos empresários consultados, os EUA continuaram crescendo em ritmo modesto entre meados de maio e começo de julho e a perspectiva é de que esse ritmo seja mantido pelos próximos meses.

"O movimento comprador do Ibovespa vinha sendo impulsionado pelo cenário político, que deixa de ser um driver enquanto durar o recesso parlamentar. Nesse período, o que vai chamar a atenção do investidor será o cenário externo, com as tensões entre os dois países gigantes, que podem afetar os emergentes", disse Stefany Oliveira, analista da Toro Investimentos.

Estrangeiros ainda aguardam

Enquanto aguardam novidades da reforma da Previdência, os investidores estrangeiros continuam a retirar recursos da B3. Na última segunda-feira (15), o saldo ficou negativo em R$ 102,685 milhões. Com isso, as retiradas líquidas em julho já somam R$ 947,449 milhões.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.