Renato S.Cerqueira/Futura Press
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Exterior positivo dá fôlego e Bolsa retoma 98 mil pontos

No mercado cambial, o dólar fechou estável, a R$ 4,1580, após atuação do Banco Central

Simone Cavalcanti e Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2019 | 18h13

Embalada pelo sinal mais firme de ganhos em Nova York e chegando a um nível mais atrativo para as compras, a Bolsa deu continuidade à valorização da véspera. Chegou ao final da sessão em alta de 0,94%, na marca dos 98.193,53 pontos em meio à contenção do dólar.

Após certa volatilidade pela manhã, a moeda americna rodou perto da estabilidade ao longo da tarde, sempre na casa de R$ 4,15, e encerrou os negócios em R$ 4,1580, com leve alta de 0,01%. Isso fez do real, ao lado da lira turca, destoar das demais divisas emergentes e de exportadores de commodities, que perderam força em relação à moeda americana.

Para profissionais que acompanham os movimentos da renda variável, em uma conjuntura mais pessimista, a sessão foi de fôlego para o índice, que seguiu de perto o sinal das bolsas americanas. "O cenário externo de incertezas trouxe a Bolsa do nível dos 105 mil para o dos 95 mil pontos. Existe então um componente técnico forte para o aproveitamento de possíveis barganhas", notou Marcelo Faria, gerente de renda variável da Porto Seguro Investimentos. 

Tanto aqui quanto no exterior, o pregão iniciou em baixa, mas logo depois firmaram na direção positiva. Muito embora o dia ter sido mais ameno, a volatilidade se manteve elevada por aqui. A oscilação do Ibovespa foi quase de 2 mil pontos entre a máxima (98.346,03) e a mínima (96.557,06 pontos) do pregão.

Ao fim dos negócios, a maioria das principais ações fechou no azul, com as ações ordinárias e preferenciais da Petrobrás com ganhos de 0,71% e 1,03%, ajudadas também pela alta das cotações do petróleo no mercado internacional. Já no setor bancário, Itaú Unibanco PN encerrou em alta de 1,13% e as units do Santander, 1,67%. Na contramão, e limitando maiores ganhos do Ibovespa, Bradesco PN teve queda de 0,59% e Banco do Brasil ON recuou 0,83% na esteira de informações de que a instituição se prepara para realizar uma oferta subsequente de ações já em setembro. 

Faria ressalta que o contexto se mantém. Há recrudescimento da guerra comercial, elevando o nível de incertezas e isso gera piora das projeções de crescimento global. Existe uma perspectiva de estímulos monetários, mas que, segundo ele, não foi totalmente endereçada diante da falta de convicção na comunicação do Federal Reserve (Fed) sobre a magnitude e tamanho do ciclo do afrouxamento monetário. "Somando a esse cenário, efeitos Argentina e outros ruídos políticos internos geram sensação de atraso na retomada do crescimento econômico", diz. 

Os investidores contam com a reforma da Previdência aprovada pelo Senado, mas aguarda que seja dentro do cronograma, até outubro. Hoje, dia de leitura do parecer, o relator da reforma, Tasso Jereissati (PSDB-CE) disse que está prevista para a próxima quarta-feira, dia 4, a votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado. No entanto, afirmou, o atraso pode ocorrer se as discussões se alongarem, afirmou o relator. Até o momento, foram apresentadas 287 emendas à proposta.

BC em campo

A atuação do Banco Central nesta quarta-feira pela manhã ajudou a dar suporte ao real. Na primeira hora de negócios, o BC vendeu US$ 25 milhões (de oferta de US$ 550 milhões) em dólar à vista, seguida por colocação de swap cambial reverso de mesmo valor. Em seguida, o BC vendeu a oferta integral de US$ 1,5 bilhão em leilão de linha com compromisso de recompra. No início da tarde, foi vendida a oferta de 10.500 de swap cambial tradicional (US$ 525 milhões).

Foi o remanescente dos leilões quando foram vendidos apenas 500 contratos no leilão de swap cambial reverso e US$ 25 milhões no leilão de dólar à vista.

Segundo operadores, após a surpreendente intervenção de terça-feira, com oferta de venda de moeda à vista pela primeira vez em 10 anos, o mercado está absorvendo os impactos da nova estratégia de atuação do Banco Central. De um lado, a trinca formada por fluxo cambial negativo, temor de surtos de aversão ao risco no exterior o estreitamento de juros locais e domésticos sugerem um dólar mais elevado. De outro, paira a possibilidade de que o Banco Central intervenha sem aviso prévio, o que torna mais arriscado apostar contra o real.

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