Exterior positivo traz viés de alta para juros futuros

Expectativa de novas medidas de ajuda aos países da zona do euro traz otimismo  

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

21 de agosto de 2012 | 09h45

O relativo otimismo no exterior, em meio à expectativa de novas medidas de ajuda aos países da zona do euro em dificuldades, traz um viés positivo para as taxas dos contratos futuros de juros nesta manhã. No Brasil, a agenda de indicadores prevê apenas a Sondagem Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), às 11h, mas como os números são de julho, o mercado ficará atento a indicações sobre o ritmo da indústria no início do segundo semestre.

Às 9h24 (horário de Brasília), a taxa do contrato futuro de juros com vencimento em janeiro de 2013 estava em 7,31%, a mesma do ajuste de ontem. Já o contrato de DI para janeiro de 2014 marcava 7,95%, ante 7,92% do ajuste anterior. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2017 estava em 9,37%, ante 9,36%, e o DI para janeiro de 2021 marcava 9,99%, mesma taxa do ajuste anterior.

A Europa começou o dia em meio à esperança de que o Banco Central Europeu (BCE) possa, de fato, ajudar os países da zona do euro em dificuldades, o que favoreceu a Espanha em leilão de títulos pela manhã. O país vendeu 4,515 bilhões de euros (US$ 5,569 bilhões) em títulos de 12 e 18 meses, acima do teto da faixa pretendida, que ia de 3,5 bilhões de euros a 4,5 bilhões de euros. Já o yield (retorno ao investidor) médio oferecido pelos títulos de 12 meses foi de 3,070%, abaixo dos 3,918% anteriores, e o dos títulos de 18 meses foi de 3,335%, abaixo dos 4,242% de antes.

Além disso, indicações de que a Alemanha pode fazer concessões para a Grécia, afrouxando exigências feitas no programa de ajuda ao país, impulsionam os principais índices de ações e o euro ante o dólar. Segundo o político alemão Norbert Barthle, do partido União Democrata Cristã (CDU, na sigla em alemão), da chanceler Angela Merkel, "pequenas concessões" são possíveis desde que a Grécia mostre disposição para cumprir as principais metas estabelecidas pelo programa de ajuda oferecido ao país.

Barthle comentou ainda que alguns ajustes na taxa de juros e no vencimento dos empréstimos podem ser feitos e que qualquer mudança provavelmente será votada pelo Comitê Orçamentário do Parlamento alemão, o Bundestag, e não por todos os membros do Parlamento, o que facilitaria uma aprovação. Segundo os analistas da Brown Brothers Harriman (BBH), as declarações são notáveis em função do tom mais otimista.

Na China, um jornal estatal informou que o país considera adotar novas medidas para impulsionar o consumo. "O ambiente no exterior está positivo. Então, a tendência é de um viés de alta para os juros na abertura", comentou um profissional ouvido nesta manhã pela Agência Estado.

Os dados da Sondagem da Indústria da CNI ficarão no radar dos investidores, principalmente porque ainda há dúvidas sobre o ritmo de recuperação da economia no segundo semestre. Por enquanto, a curva a termo precifica de forma majoritária corte de 0,50 ponto porcentual da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana que vem, de 8,00% para 7,50%. Para o encontro de outubro, as apostas estão divididas entre manutenção e novo corte de 0,25 ponto.

A agenda brasileira não traz nesta terça-feira novos dados de inflação. No entanto, fonte que tem acesso ao IPCA ponta calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) - que busca antecipar o comportamento da inflação - afirmou que o indicador passou de 0,29% na sexta-feira para 0,36% ontem. "Isso estaria indicando que a gente deve ver uma aceleração do IPCA nos próximos dias", comentou.

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