Exterior pressiona dólar para baixo

Movimento veio da expectativa quanto a um novo pacote de resgate financeiro à Espanha

Olívia Bulla, da Agência Estado,

21 de setembro de 2012 | 09h40

Após ficar ausente das mesas de operações pelo terceiro dia consecutivo na quinta-feira (20), o Banco Central pode ter de voltar a atuar no mercado doméstico de câmbio nesta sexta-feira, diante do maior apetite ao risco no exterior em meio à expectativa de um pacote de resgate financeiro à Espanha. Porém, declarações feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em Londres, de que, se necessário, serão adotadas outras medidas para conter a alta do real pode atenuar o ímpeto dos negócios locais.

Às 9h15, na BM&F Bovespa, o contrato futuro do dólar para outubro subia 0,10%, a R$ 2,027. No mercado de balcão, o dólar à vista abriu em alta de 0,10%, a R$ 2,025, mas, instantes depois, cravou a mínima, a R$ 2,022, em baixa de 0,05%.

Segundo operadores de câmbio consultados, o dólar tende a seguir na lateralidade, sem viés definido, que vem marcado o mercado doméstico nesta semana, desde que a incerteza sobre uma atuação da autoridade monetária "travou" os negócios. Porém, um profissional de tesouraria de um banco local avalia que deve haver uma maior pressão de baixa sobre a moeda norte-americana hoje, diante do sinal positivo que prevalece nos ativos de risco no exterior, prejudicando o dólar em relação às principais moedas rivais.

Por volta do horário acima, o euro subia a US$ 1,2988, de US$ 1,2968 no fim da tarde quinta-feira. O dólar norte-americano caía 0,65% ante o dólar australiano e recuava 0,22% ante o dólar canadense. Essa melhora no humor dos investidores é reflexo da notícia divulgada desde a quinta-feira (20) à tarde pelo jornal Financial Times, de que as autoridades da União Europeia (UE) estão trabalhando nos bastidores na preparação de um novo pacote de ajuda financeira à Espanha, o que incluiria compras de bônus soberanos pelo Banco Central Europeu (BCE). O programa será anunciado na próxima quinta-feira (27).

Com isso, os profissionais consultados, que falaram sob a condição de não serem identificados, avaliam que cresce a expectativa com relação ao BC, seja via consulta por demanda de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro) ou, efetivamente, a realização de oferta de contratos. "O BC pode tentar neutralizar uma tentativa de queda do dólar", diz um operador.

Mas o governo brasileiro segue dizendo possuir um arsenal de medidas capazes de inibir uma apreciação do real. Em Londres, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil não vai deixar a moeda brasileira se valorizar e que a política atual de intervenção no mercado de câmbio vai continuar. "O BC vai comprar mais reservas", afirmou, acrescentando que o uso de leilões de swap reverso, também prosseguirá.

Mantega disse ainda que, se for necessário, serão adotadas outras medidas, referindo-se a maiores impostos sobre fluxos de entrada de investimentos, a fim de evitar que fluxos especulativos invadam o Brasil. Para o ministro, a decisão do Federal Reserve de lançar uma terceira rodada de relaxamento quantitativo (QE3) estão "estimulando guerras cambiais", que, para ele, são uma realidade.

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