Exterior puxa alta do dólar no mercado brasileiro

Avanço da moeda americana em relação ao euro e outras divisas ligadas a commodities deu o tom dos negócios locais

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

15 de maio de 2013 | 17h33

O avanço do dólar em relação ao euro e a várias divisas com elevada correlação com commodities influenciou de forma decisiva os negócios no mercado de câmbio brasileiro. Apesar de dados do Banco Central mostrarem a entrada líquida de dólares no País em maio, até o dia 10, a busca global pela moeda americana fez o dólar subir 0,50% nesta quarta-feira, 15, ante o real no balcão, para R$ 2,0260. No mês, a moeda acumula valorização de 1,20% e, no ano, queda de 0,93%.

Na cotação mínima, verificada às 9h47, o dólar à vista marcou R$ 2,016 (estável ante o fechamento da véspera) e, na máxima, às 14h56, atingiu R$ 2,0340 (avanço de 0,89%). A moeda manteve-se no território positivo ante o real durante toda a sessão. No mercado futuro, às 16h50 o dólar para junho era cotado a R$ 2,0300, em alta de 0,12%.

Pela manhã, uma bateria de indicadores ruins foi divulgada na Europa e nos Estados Unidos. O Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha subiu apenas 0,1% no primeiro trimestre, ante o quarto trimestre de 2012. Já o PIB da zona do euro caiu 0,2% no mesmo período, totalizando contração pelo sexto mês seguido. Entre os vários indicadores divulgados, chamaram a atenção o índice Empire State de atividade em Nova York, que caiu a -1,43 em maio, e a produção industrial em abril, que recuou 0,5%. Um dos dados americanos, porém, foi positivo: o índice de confiança das construtoras, que subiu a 44 em maio.

Neste contexto de dificuldades de crescimento na Europa, o euro passou a cair, com consequente alta do dólar. A moeda americana também continuou sendo favorecida pela percepção de que o programa de compra de bônus do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) pode ser reduzido - o que vem fortalecendo o dólar há algumas sessões.

A alta da moeda ante o real, de acordo com alguns profissionais, foi abrandada por leve fluxo de entrada de dólares no dia e por dados melhores do fluxo cambial em maio, até o dia 10. De acordo com o Banco Central, entraram no País US$ 859 milhões líquidos no mês, até a última sexta-feira, resultado de um fluxo comercial positivo de US$ 155 milhões e de um fluxo financeiro também positivo de US$ 704 milhões. Já começam a influenciar a conta financeira as ofertas públicas iniciais (IPOs) de ações mais recentes, sendo que o mercado aguarda agora notícias sobre quando - e como - a Petrobras vai internalizar os recursos de sua megacapitalização externa de US$ 11 bilhões.

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