Exterior segura juros após dados de emprego e IPCA-15

Às 9h45, a taxa projetada para janeiro de 2014 cedia para 7,81%  e nos longos, a taxa de janeiro de 2021 caía a 9,84%

Patrícia Lara, da Agência Estado,

20 de setembro de 2012 | 10h01

A inflação para o consumidor brasileiro continuou pressionada em setembro e não dá confiança para os analistas considerarem que haverá uma trajetória de convergência, mesmo que não linear, para a meta, como vislumbra o Banco Central. Principalmente, diante de um mercado de trabalho local que se manteve como um "foco de resistência" dentro de um cenário de fragilidade da economia. Mas o clima externo pesado, após dados frustrantes da economia da China e da zona do euro, se traduz em pressões negativas para as commodities.

E a curva de juros abre com as taxas longas pressionadas, enquanto as intermediárias e curtas tendem a ter um comportamento mais estável, na medida em que os dados domésticos favorecerem um aumento de prêmio, mas o externo aponta para um outro sentido. Às 9h45. A taxa projetada no janeiro de 2014 cedia para 7,81%, de 7,84%. Nos longos, a taxa do janeiro de 2021 recuava a 9,84%, de 9,90% no ajuste.

O IPCA-15 de setembro subiu 0,48%, ante 0,39% em agosto e 0,33% em julho. O resultado ficou dentro da previsão dos analistas consultados pelo AE Projeções, que previam uma variação entre 0,40% e 0,51% e superou a mediana de 0,46% calculada para o indicador. Nos dados sobre o mercado de trabalho, a taxa de desemprego de agosto ficou em 5,3%, abaixo do piso projetado pelos analistas (5,40%), que tiveram dificuldade em relação às projeções em virtude da ausência dos dados nacionais de julho e junho. Mas nesta quinta-feira o IBGE informou os dados atrasados. Em julho, a taxa ficou em 5,4% e em junho, em 5,9%.

NO IPCA-15, os preços dos alimentos continuam coletando os efeitos da pressão da alta das commodities agrícolas e pecuárias no atacado. A alta no grupo foi de 1,08% em setembro, o que resultou em mais da metade do IPCA-15 do mês. A contribuição dos alimentos para a inflação de 0,48% foi de 0,25 ponto porcentual.

"Se o BC estava esperando que os dados de inflação retomassem trajetória de queda, os dados do IPCA-15 não reforçam essa visão", comentou o estrategista do WestLB, Luciano Rostagno. "Os números estão indicando estabilidade nos atuais e não uma retomada da tendência de queda", disse. Já os números do emprego confirmam não só um mercado de trabalho forte, mas voltando a se aquecer, salientou Rostagno. "Os números da PME indicam mercado de trabalho aquecido e devem dar respaldo para o consumo doméstico, sobretudo impulsionado pelas medidas do governo", comentou.

O dia ainda traz o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que será divulgado às 14h30. Segundo analistas, o relatório deve mostrar que foram criados entre 160 mil e 209.616 vagas em agosto, conforme sondagem do AE Projeções.

Mas externamente, dados fracos de atividade na China e na zona do euro trazem o contraponto aos números domésticos. Na China, o Índice de Gerentes de Compras (PMI) preliminar, medido pelo HSBC, subiu a 47,8 em setembro, ante a leitura final de 47,6 em agosto, mas permanece no terreno que indica contração da atividade e mantém preocupações quanto à desaceleração da segunda maior economia mundial.

Além disso, analistas já comentam sobre o impacto negativo que o recrudescimento da disputa territorial pelas ilhas Senkaku - como são chamadas no Japão - ou Diaoyu - como são nomeadas pelos chineses - para a produção industrial na China em setembro, já que várias fábricas japonesas localizadas no território chinês, vai "definitivamente" prejudicar o comércio entre os dois países.

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