Fabricantes de chips brigam pelo mercado de laptops para os pobres

Somente 14,3% da população mundial têm acesso à internet, segundo o Relatório da Economia da Informação 2005, da Unctad. Para continuarem crescendo, as empresas de tecnologia resolveram se voltar para esse mercado de excluídos, criando computadores mais baratos. "O mercado brasileiro é muito focado em preço", afirmou o analista Reinaldo Sakis, da consultoria IDC. "Não importa muito a velocidade, se é a maior maravilha do mundo."A AMD, segunda maior fabricante de processadores do mundo, participa do projeto Um Laptop por Criança (OLPC, na sigla em inglês), liderado por Nicholas Negroponte, fundador do Media Lab, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ao lado da Brightstar, Google, Marvell, News Corp., Nortel e Red Hat. Como reação, a Intel lançou seu próprio projeto de computador portátil educacional e barato, chamado Classmate PC. Antes, o nome do projeto era Edu-Wise. As duas máquinas devem ser vendidas diretamente para governos, para serem aplicadas na educação. Não são, a princípio, soluções para o varejo."Os mercados emergentes têm necessidades diferentes dos mercados maduros", disse Wanda Linguevis, gerente de Iniciativa para Novas Plataformas da Intel. "O preço é uma variante importante para a inclusão, mas existem outras, como a educação." O Centro de Desenvolvimento da Intel no Brasil tem como foco desenvolver tecnologia para dois públicos: estudantes e as classes C e D urbanas.O Classmate PC deve ser lançado no Brasil no começo do próximo ano. "Ele será lançado em quatro mercados", explicou Wanda. "O Brasil e o México são dois deles. Ainda não fechamos quais serão os outros." A Intel não divulgou qual será a configuração da máquina, que, a princípio, poderá rodar versões normais Windows ou do Linux. O objetivo é que ele saia por menos de US$ 400.A empresa tem demonstrado uma versão do Classmate PC sem disco rígido, que usa memória flash para armazenar os dados. Wanda explicou, no entanto, que o projeto prevê as duas possibilidades. "Ele será 70% montado no Brasil", destacou a gerente da Intel. "Conversamos com governos e com nossos parceiros, e analisamos questões de incentivo, como o PPB." O Processo Produtivo Básico (PPB) permite às empresas se beneficiarem da Lei de Informática.Quem começou essa história de computador portátil barato, para a educação, foi Nicholas Negroponte, autor do best seller A Vida Digital. Ano passado, ele anunciou o projeto no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. A máquina foi chamada inicialmente de laptop de US$ 100, mas recentemente Negroponte informou que o laptop deve sair por US$ 135 ou US$ 140 no lançamento, chegando a US$ 100 em 2008.

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