Fala de Bernanke impede nova sessão de alta do dólar

 Presidente do Fed diz que há escopo para mais ações de fortalecimento da recuperação da economia norte-americana

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

24 de agosto de 2012 | 17h22

O dólar abriu em alta ante o real nesta sexta-feira mas inverteu o sinal no começo da tarde, renovando mínimas, acompanhando a melhora dos índices acionários, para fechar o dia perto da estabilidade. O sentimento dos investidores foi amparado pelas citações do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, de que há escopo para mais ações do Fed para acalmar as condições financeiras e fortalecer a recuperação. Ao final da tarde, com as bolsas devolvendo levemente parte dos ganhos, o dólar também desacelerou a queda, rumando para a estabilidade.

Bernanke, em carta em resposta aos questionamentos de um deputado, ponderou que o Fed deve implementar políticas "com base em projeção da performance futura da economia" e avaliará os custos e benefícios de mais ações. Na esteira das declarações, o dólar cedeu ante o real. "Hoje, a trajetória do dólar está ligada ao cenário externo", citou um operador. Mas o Banco Central, continuou o profissional, está atento para segurar a cotação do dólar no intervalo informal de R$ 2,00 a R$ 2,10. Os investidores vão ter mais pistas sobre um eventual relaxamento quantitativo no discurso do presidente do Federal Reserve no simpósio de Jackson Hole, na próxima semana.

Segundo operadores, quando o dólar à vista se aproximava de R$ 2,03 à tarde, o nível da moeda atraiu fluxo de exportadores, o que fez com que o giro financeiro inflasse. O dólar à vista fechou a R$ 2,024 no mercado de balcão (estável). Na máxima, o dólar foi a R$ 2,034 e bateu R$ 2,020 na mínima. Na BM&F, não houve negócios com o dólar spot nesta sexta-feira. Em torno das 16h30, o giro financeiro total era robusto e somava US$ 2,142 bilhões (US$ 2,072 bilhões em D+2). No mesmo horário, o dólar para setembro de 2012 era negociado a R$ 2,028, com leve declínio de 0,02%.

A expectativa com a reunião desta sexta-feira entre a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras, pesou sobre o euro. A alemã não se comprometeu a conceder à Grécia mais espaço de manobra com relação às medidas de austeridade até a conclusão de um relatório dos credores. Investidores argumentam que a queda do euro ante o dólar foi abrandada pelas informações, na mídia internacional, de que o um novo programa de compra de títulos, que está sob avaliação pelo Banco Central Europeu (BCE), consideraria criar uma meta para banda dos yields (taxas de retorno ao investidor) como forma de evitar tentativa de ação de especuladores.

O presidente do Reserve Bank da Austrália, Glenn Stevens, ao falar a legisladores, pareceu extremamente relutante a implementar intervenções para enfraquecer o dólar australiano, na visão de estrategistas no exterior. "Embora reconheça que a moeda está sendo negociada acima do nível que considera adequado, estima que não está dramaticamente sobrevalorizada", citou um profissional.

No mercado doméstico, analistas argumentam que o BC tem a próxima semana para, se desejar, fazer mais leilões de swap cambial reverso - equivalente à compra de dólares no mercado futuro - diante do vencimento de US$ 4,45 bilhões em contratos de swap cambial tradicional - operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro - em 3 de setembro.

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