Fala de Draghi sustenta ganhos das bolsas europeias

Nesta quinta-feira pela manhã o presidente do Banco central europeu reafirmou a disposição do BCE de adotar novas medidas de estímulo

Sergio Caldas, da Agência Estado,

24 de abril de 2014 | 13h45

Após uma sessão volátil, as bolsas na Europa encerraram a quinta-feira, 24, majoritariamente em alta, influenciadas por comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, por indicadores positivos da Alemanha e dos Estados Unidos e por balanços positivos de empresas de tecnologia norte-americanas. O aumento das tensões entre Ucrânia e Rússia, porém, pesou durante o pregão e chegou a fazer todos os mercados acionários europeus a operar temporariamente em baixa. No fechamento, o índice pan-europeu Stoxx 600 garantiu alta de 0,23%, a 335,82 pontos.

No começo da manhã, Draghi reafirmou a disposição do BCE de adotar novas medidas de estímulo caso haja necessidade. Se a perspectiva de inflação da zona do euro se deteriorar muito, disse ele, a instituição estudará a possibilidade de fazer amplas compras de ativos. Em março, a inflação anual do bloco ficou em 0,5%, bem abaixo da meta do BCE, que é de uma taxa ligeiramente menor que 2%. Draghi também comentou que o BCE pode passar a se reunir com menos frequência para alinhar suas expectativas com o "alto fluxo de dados" econômicos relevantes. Atualmente, as reuniões de política monetária do BCE são mensais.

Antes disso, o bom humor já prevalecia na Europa, não apenas porque a Apple e o Facebook divulgaram balanços melhores que o esperado no fim da tarde de quarta-feira, 23, mas também por causa do índice de sentimento das empresas da Alemanha, que neste mês teve uma alta inesperada, a 111,2, de 110,7 em março, segundo o instituto Ifo. Analistas consultados pela Dow Jones Newswires previam recuo do indicador, a 110,5. Também contribuíram para o sentimento positivo entre investidores europeus as encomendas de bens duráveis dos EUA, que subiram 2,6% em março ante fevereiro, mais do que a alta esperada por economistas, de 2,0%.

O recrudescimento da crise no Leste Europeu, no entanto, chegou a ameaçar o clima positivo nos mercados europeus. Notícias de que a Rússia fará exercícios militares perto da fronteira ucraniana, após conflitos que causaram a morte de pelo menos cinco militantes pró-Moscou no leste da Ucrânia, levaram as ações na Europa às mínimas da sessão.

Na última hora do pregão, porém, as bolsas europeias voltaram a se concentrar nos fatores positivos do dia e subiram em linha com as ações em Nova York, que ensaiavam uma recuperação. Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em alta de 0,42%, a 6.703,00 pontos. No mercado francês, o CAC 40 avançou 0,64%, a 4.479,54 pontos, impulsionado pela Alstom, que saltou 10,9% em Paris após notícias de que a General Electric estaria tentando adquirir sua unidade de energia. A Bouygues, que é uma grande acionista da Alstom, teve ganho de 4,6%. Em Frankfurt, a alta do índice DAX foi marginal, de apenas 0,05%, a 9.548,68 pontos.

Em Madri, o índice IBEX 35 terminou a sessão com alta de 0,36%, a 10.462,00 pontos, enquanto em Milão o FTSE Mib registrou avanço de 0,66%, a 21.819,48 pontos. O PSI 20, das ações mais negociadas em Lisboa, foi a exceção do dia, fechando com pequena queda de 0,11%, a 7.445,71 pontos.

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