Fala de Meirelles dá impulso de alta a juros futuros

Os juros futuros tiveram alta firme na última hora da negociação normal hoje na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), em reação retardada ao discurso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, feito no início da tarde na cerimônia de posse do novo diretor de Assuntos Internacionais do BC, Carlos Hamilton Araújo. Os profissionais nas mesas de operação leram as palavras da autoridade monetária como uma sinalização forte de que a taxa Selic pode subir já em março.

Denise Abarca, da Agência Estado,

26 de fevereiro de 2010 | 17h34

 

Além do avanço das taxas, o volume de contratos negociados cresceu expressivamente à tarde, com o vencimento de depósito interfinanceiro (DI) de janeiro de 2011 girando 383.160 contratos, de cerca de 231 mil no início da tarde e projetando taxa de 10,44% ao ano. Encerrou a negociação normal a 10,48% ao ano, de 10,41% no ajuste de ontem, chegando a encostar em 10,50% ao bater a máxima de 10,49%.

 

O DI de abril de 2010, o primeiro a vencer após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em março, teve um volume surpreendente de 568.250 contratos negociados, superior aos cerca de 326 mil contratos do começo da tarde e dos 193 mil contratos de ontem. A taxa encerrou a 8,74% ao ano no ajuste de ontem para 8,763% (máxima). O DI de julho de 2010 iniciou a tarde com 87.395 contratos e taxa de 9,28% e terminou a negociação normal com 208.385 contratos e taxa de 9,32%, ante 9,27% ontem. O DI de janeiro de 2012 (103.355 contratos) projetava 11,64%, de 11,57% ontem, e 11,60% e 67.830 contratos no começo da tarde.

 

No discurso, Meirelles disse que a instituição não evita medidas que são tecnicamente justificadas, mas que possam ser entendidas de forma negativa pela sociedade. "Atuar de forma consistente significa não evitar decisões tecnicamente justificadas que, no curto prazo, possam parecer antipáticas ou impopulares, mas que visam, sim, ao bem comum", afirmou

Meirelles.

 

Ele não detalhou qual eventual medida poderia ser impopular, mas afirmou que a instituição precisa fazer o necessário "na medida e na hora adequada para, por um lado, manter a estabilidade do sistema financeiro nacional e, por outro, assegurar a convergência da inflação à trajetória das metas".

 

Ontem, a curva mostrava 100% de probabilidade de uma alta de 0,25 ponto porcentual para a Selic em março. Hoje, já precificava 50% de possibilidade de uma elevação de 0,5 ponto porcentual da taxa básica no próximo mês e um pouco mais de 0,5 ponto de avanço em abril, segundo cálculo de operadores.

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