Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Falta de candidato forte do centro inquieta o mercado

Após pesquisa divulgado pelo Datafolha nesta quarta-feira, empresários e investidores reforçam que demora do tucano Geraldo Alckmin em decolar nas pesquisas causa apreensão

Fernanda Guimarães e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2018 | 18h26

A falta de um nome de centro forte nas eleições presidenciais está inquietando investidores e empresários. A preocupação ficou ainda mais evidente nesta quarta-feira, 31, com a divulgação de pesquisa do DataFolha, que mostra a liderança isolada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do deputado Jair Bolsonaro e um segundo turno embolado caso o petista seja impedido de concorrer. 

A visão do mercado é que, sem essa definição, a volatilidade da economia tende a ser maior por conta da falta de clareza sobre quem será o vencedor.

Investidores ouvidos nesta quarta-feira pelo Estadão/Broadcast, durante evento do banco Credit Suisse na cidade de São Paulo, ressaltaram que ainda é cedo para se analisar como será o quadro eleitoral. No entanto, existe apreensão com a demora do tucano Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo, decolar nas pesquisas. 

No levantamento do Datafolha, ele aparece com 6%. Para o estrategista da área de dados da campanha do presidente francês, Emmanuel Macron, o presidente-executivo da Liegey Muller Pons, Guillaume Liegey, a probabilidade de Alckmin ganhar é baixa. No mercado, a preocupação é de que é necessário que apareça rapidamente um nome competitivo no chamado "centrão". O partido faz menos diferença, mas o que conta é o projeto de política-econômica, de manutenção da atual agenda e que tenha como pauta prioritária as reformas estruturais.

No evento do Credit, o painel que discutiu a renovação da política brasileira foi um dos mais disputados, fato destacado pelo presidente do banco no Brasil, José Olympio, que chamou a atenção para o alto quórum que teve o debate enquanto havia outros painéis simultâneos. Um dos participantes do debate, o investidor Eduardo Mufarrej, idealizador da RenovaBR, programa que fornece bolsa para criar lideranças políticas, e sócio da Tarpon Investimentos, ressaltou que falta um candidato de convergência mais competitivo.

"Se a gente não conseguir identificar alguém que capture esse desejo, esse anseio (de mudança), e se as pessoas estiverem com muitas dúvidas e inseguras, os próprios partidos não vão embarcar. É importante encontrar quem é esse caminho de convergência", disse Mufarrej. Perguntado se Luciano Huck - nome próximo a Mufarrej - toparia ser candidato, o executivo disse que a avaliação do apresentador permanece a mesma de dezembro, quando negou que disputaria as eleições. Na sua visão, Huck porém é um nome bastante conhecido no País, sobretudo nas classes C e D.

Apesar do tom de otimismo do mercado - refletindo por exemplo no Ibovespa acima dos 85 mil pontos - , a falta de um nome com um posicionamento pró-mercado pode jogar um balde de água fria na percepção de crescimento de atividade econômica esperada para o ano. A consultoria Capital Economics ressalta que o otimismo dos agentes pode desaparecer rapidamente.

Indefinição. Na avaliação do membro do conselho do Centro de Liderança Pública (CLP), Fabio Barbosa, ex-presidente do Santander, o cenário eleitoral está "super indefinido" e é muito cedo para as pesquisas de intenção de voto refletirem o que pode acontecer nas urnas em outubro. "Muita água vai passar debaixo dessa ponte."

A economista Elena Landau, que participou do programa de privatização do governo de Fernando Henrique Cardoso, ressaltou que se um candidato de cunho intervencionista e populista ganhar as eleições, a agenda de privatizações e de reformas pode ficar comprometida. Já com um nome mais ao centro, as vendas de estatais podem sair do papel. "Não há dúvida alguma de que a agenda de privatizações vai depender do candidato que ganhar", disse ela, destacando que Bolsonaro e Ciro Gomes não privatizam, enquanto Alckmin, Huck e até Marina Silva podem seguir com o programa de desestatização.

No evento do Credit, o prefeito de São Paulo, João Doria, foi um dos palestrantes. Ele negou ser candidato e ao final de sua palestra não foi tão aplaudido como no evento do ano passado, poucas semanas depois de ter assumido a prefeitura, em que os presentes chegaram a interromper a apresentação do tucano para aclamá-lo.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, também participou da conferência do banco suíço e foi questionado pelos participantes sobre sua intenção de disputar a corrida presidencial. Ele voltou a afirmar que vai decidir o que fará até o começo de abril. mas frisou que é importante que a agenda de Michel Temer seja levada adiante pelo próximo presidente.

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