Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Falta de liquidez leva companhias a fechar capital

Despesas para manter empresas na Bolsa não se justificam quando ação é pouco negociada e não há planos de emissões

Marina Gazzoni, O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2014 | 03h00

Negociar ações na bolsa de valores deixou de ser interessante para algumas companhias que, no passado, buscaram dinheiro –e sócios– no mercado de capitais. Empresas como a incorporadora Brookfield, a companhia de autopeças Autometal e a Café Iguaçu executaram neste ano ofertas públicas de aquisição de ações (OPA) e tiraram seus papéis do mercado.

A maior parte das empresas sai da bolsa alegando baixa liquidez dos seus papéis e falta de interesse em captar recursos no mercado. Esse foi o caso, por exemplo, da Docas Investimentos e da Café do Iguaçu.

As duas empresas justificaram sua decisão de recomprar suas ações e fechar o capital dizendo que não valia a pena para elas arcar com os custos de manter uma estrutura de governança e de relações com investidores exigida de empresas de capital aberto. A Docas, por exemplo, extinguiu o seu conselho de administração após o fechamento do capital e deslocou suas atribuições para a assembleia de acionistas e para a diretoria da empresa.

Reestruturação. Há também saídas motivadas por reestruturações societárias. O grupo de educação Anhanguera, por exemplo, cancelou seu registro de empresa aberta e seus papéis foram convertidos este ano em ações da Kroton, um resultado da fusão das duas companhias de educação.

Caminho semelhante foi o da Autometal, uma empresa de autopeças que fatura R$1 bilhão no Brasil e que recomprou suas ações em circulação no mercado este ano. “Foi uma simplificação societária. Nosso controlador, a CIE Automotive, tem capital aberto na Espanha, e outra empresa do grupo é listada na bolsa da Índia e tinha ao mesmo tempo participação da Autometal e de seu controlador”, explica o diretor financeiro da Autometal, Fernando Mearim.

A empresa manteve sua estrutura de governança compatível com as exigências de empresas aberta, pois seu resultado ainda é divulgado no balanço do grupo controlador.

A Autometal abriu o capital em 2011, quando o Brasil ainda estava “na moda” e o mercado europeu estava ruim, lembra Mearim. Hoje é mais barato captar recursos na Europa para, se necessário, financiar sua expansão no Brasil. Esse tipo de operação, por exemplo, se torna mais complicada de ser feita quando controlada e controlador têm capital aberto, por se tratar de acordo entre partes relacionadas, algo que costuma ser alvo de questionamento de acionistas minoritários.

A incorporadora Brookfield não informou em seus comunicados a razão pela qual seu controlador decidiu recomprar as ações em circulação no mercado. A empresa manteve o capital aberto, mas mudou sua categoria de registro de empresa aberta – de A para B–, podendo emitir outros títulos mobiliários, como debêntures, mas não ações. Procurada, a empresa não quis dar entrevista.

Assim como outras empresas do setor imobiliário, a Brookfield viu seu valor derreter na bolsa nos últimos anos. A companhia, que estreou no mercado em 2007 com os papéis cotados em cerca de R$ 12, recomprou suas ações este ano por R$ 1,60. O preço do ativo caiu, assim como o de outras incorporadoras, após ela divulgar resultados abaixo do esperado.

Além da insatisfação com a avaliação feita do seu ativo pelo mercado, pesou na decisão de sair da bolsa o envolvimento da empresa no escândalo de pagamento de propinas a servidores da Prefeitura de São Paulo para liberação de empreendimentos, disseram fontes do setor ao Estado. “O controlador é um grupo grande lá fora e preferiu preservar sua imagem e se expor menos, já que a empresa estava valendo pouco na Bolsa.” /COM COLABORAÇÃO DE NAIANA OSCAR

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