Farra do dólar acaba em 2007, avalia ex-diretor do BC

A forte queda do preço do dólar neste ano não deverá se repetir ao longo do ano que vem. A cotação da moeda no mercado comercial também não terá espaço para manter o patamar atual, na avaliação do ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas. Para ele, a cotação da moeda não vai ajudar a política monetária como ajudou este ano. "Ano que vem não vamos ter de novo essa farra do dólar. A política monetária não vai mais poder contar com a ajuda do dólar para manter as expectativas de inflação", disse Thadeu de Freitas, atualmente professor do Ibmec-RJ e chefe do departamento econômico da Confederação Nacional do Comércio. Em entrevista por telefone à Agência Estado, Thadeu de Freitas disse acreditar que o dólar deverá sofrer uma correção e ficar entre R$ 2,50 e R$ 2,60 em 2007. A reversão de trajetória de preço, segundo ele, se deverá à uma atividade econômica mais forte, ao aumento das importações e à alta de juros internacionais. "Este ano não tem espaço para avançar muito. O dólar vai ficar bem comportado ao redor de R$ 2,20, R$ 2,15. Se houver algum susto internacional pode subir mais", ressaltou. A aposta do ex-diretor do BC para a Selic é a de consenso do mercado. Para ele, o Copom deverá cortar o juro básico em 0,75 ponto porcentual no encontro desta quarta-feira, dos atuais 16,5%. "Não faz sentido mudar o ritmo de queda. O que não significa que o ritmo vá continuar até o final do ano", opinou. Outro corte de 0,75 ponto porcentual viria na reunião de maio, com redução do ritmo em julho e possível parada de queda da Selic a partir de setembro. "Há um divisor de águas no segundo semestre. A partir de agosto haverá mais precaução. Nos próximos 12 meses, a partir de agosto, vamos ter a (pesquisa) Focus apontando uma expectativa de inflação acima de 4,5%". Segundo ele, a Selic deve encerrar o ano em 14,5%.

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