Fator Escócia mantém bolsas europeias em viés de baixa

Fator Escócia mantém bolsas europeias em viés de baixa

Incerteza sobre o resultado do referendo de independência desperta cautela sobre os investidores

LUCAS HIRATA, COM INFORMAÇÕES DA DOW JONES NEWSWIRES, Estadão Conteúdo

15 de setembro de 2014 | 09h05

O sentimento de cautela prevalece nas bolsas europeias antes do referendo separatista da Escócia e da decisão de política monetária do Federal Reserve, o que mantém os principais índices acionários da região em viés de queda. O sentimento de alerta também é direcionado por uma série de indicadores econômicos mais fracos do que o esperado da China, o que elevou a preocupação sobre uma desaceleração da segunda maior economia do mundo.

A produção industrial da China cresceu apenas 6,9% em agosto, ante igual mês do ano passado, abaixo da alta de 9,0% em julho, de acordo com dados divulgados no fim de semana. O resultado representou a expansão mais fraca desde dezembro de 2008. Segundo estrategistas do BNP Paribas, os números mostram "problemas profundamente enraizados" na economia do país. Os economistas do Barclays reduziram a previsão para a expansão do Produto Interno Bruto chinês deste ano em 0,2 ponto porcentual, para 7,2%. Eles também cortaram a expectativa de crescimento do PIB no terceiro e no quarto trimestre em 0,3 e 0,4 ponto porcentual, para 7,1% e 7,0%, respectivamente.

A atenção dos mercados também se concentra no referendo sobre a independência escocesa, cuja votação será conduzida na quinta-feira. Estrategistas têm concordado que o resultado ainda é incerto, o que desperta a cautela entre os investidores.

Nas tentativas mais recentes de obter apoio, o líder do pró-independência do Partido Nacional Escocês, Alex Salmond, e o chefe da campanha "Better Together" (Melhor Juntos) do Reino Unido, Alistair Darling, fizeram pronunciamentos televisionados no fim de semana. "Mesmo se a Escócia votar contra independência, a experiência recente provavelmente lembrou os investidores que as questões políticas podem repentinamente passar de um risco marginal para o centro do palco", escreveu o economista Michael Saunders, do Citigroup.

Outro foco de ansiedade vem dos Estados Unidos. O Federal Reserve anuncia a decisão de política monetária na quarta-feira, que será acompanhada de previsões econômicas do banco e uma coletiva à imprensa da presidente da instituição, Janet Yellen. Enquanto nos EUA, há uma crescente discussão sobre um aperto monetário, diante de uma série de indicadores positivos, as autoridades da zona do euro discutem uma recuperação econômica incipiente e possível ações de estímulo. Essa diferença tem pesado no euro contra o dólar.

As ações também sofrem uma pressão adicional da decisão dos EUA, no final da semana passada, de ampliar as sanções contra a Rússia, ao visar empresas relacionadas a projetos de petróleo e medidas para restringir o financiamento de companhias controladas pelo Estado.

No noticiário corporativo, o setor de bebidas e de companhias aéreas agitava os mercados. A Anheuser-Busch InBev está em negociações com bancos sobre um possível financiamento para fazer uma oferta para comprar a SABMiller, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto. Os papéis da SABMiller avançavam 11,32% em Londres e da Anheuser-Busch Inbev ganhavam 3,19% em Bruxelas.

Enquanto isso, as ações da Heineken avançavam 2,89% em Amsterdã, após a fabricante holandesa rejeitar a proposta de incorporação da rival SABMiller. A assessoria financeira Kepler Cheuvreux disse que a proposta da SABMiller foi definida como um movimento defensivo contra uma possível proposta da Anheuser-Busch Inbev de tomar o controle da companhia e que a empresa não ficou surpresa com a recusa. Segundo uma fonte, a SABMiller analisa uma nova proposta pela Heineken.

As ações da Air France KLM recuam forte após a empresa informar que deve operar somente metade dos voos previstos nesta segunda-feira, como resultado de uma greve que deve começar no início da próxima semana. Já os papéis da Lufthansa cedem terreno diante de informações de que os pilotos devem fazer na terça-feira a quarta greve em um mês. As ações da Air France caíam 3,63% em Paris e da Lufthansa cediam 1,25% em Frankfurt, por volta das 8h40 (de Brasília).

No horário mencionado acima, as bolsas europeias operavam em viés de queda: Paris perdia 0,10%, Londres recuava 0,03%, Milão caía 0,83%, Lisboa tinha baixa de 0,89% e Madri cedia 0,32%. Na contramão, Frankfurt ganhava 0,22%. Entre as moedas, o euro caía a US$ 1,2924 e a libra recuava a US$ 1,6243.

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