Fator Itália faz bolsas na Europa fecharem em baixa

Segundo o jornal Financial Times, há, no momento, potencial ameaça à coalizão do governo e risco de nova crise política no País

26 de agosto de 2013 | 13h44

As bolsas europeias fecharam majoritariamente em baixa nesta segunda-feira, 26, influenciada pelo que ameaça se tornar uma nova crise política na Itália, mas com perdas menores diante do desempenho positivo das ações em Wall Street. O índice pan-europeu Stoxx 600 teve uma pequena queda de 0,08%, encerrando o dia a 304,48 pontos.

Segundo reportagem do Financial Times, o partido de centro-direita do ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi se fechou em defesa do líder, abrindo espaço para uma potencial ameaça à coalizão de governo liderada por Enrico Letta antes de uma importante reunião de gabinete marcada para quarta-feira. No fim de semana, o partido Povo da Liberdade (PDL) alertou ao governo que seria inaceitável banir Berlusconi da política italiana em consequência da sentença de quatro anos de prisão por fraudes fiscais que foi anuncia em 1º de agosto.

"A remoção de Berlusconi do cargo de senador é impensável e constitucionalmente inaceitável", afirmou ao FT Angelino Alfano, vice-primeiro-ministro do governo de Letta e também secretário do PDL.

Diante da ameaça de ruptura na coalizão governista da Itália, o índice FTSE Mib, que reúne as ações mais negociadas em Milão, fechou em forte baixa de 2,1%, a 16.977,76 pontos. O grupo Mediaset, controlado pela família de Berlusconi, teve a queda mais pronunciada, de 6,2%.

Outros mercados europeus tiveram perdas mais moderadas. Em Madri, o índice IBEX 35 recuou 0,42%, a 8.649,90 pontos e, em Lisboa, o índice PSI 20 caiu 0,56%, a 5.977,12 pontos. Na Espanha, encerraram o pregão em território negativo bancos como o BBVA (-1,1%), Caixabank (-0,9%) e Santander (-0,8%), mas a Telefónica subiu 0,2% após melhorar sua oferta pela alemã E-Plus com o apoio da América Móvil, aumentando as chances de que a compra seja concretizada.

A tendência de alta das bolsas em Nova York deu algum alento aos negócios na Europa. Em Paris, o índice CAC 40 terminou a sessão com uma ligeira perda de 0,06%, a 4.067,13 pontos. Já em Frankfurt, o índice DAX teve alta de 0,22%, a 8.435,15 pontos, com ajuda do Commerzbank (+1,4%) e Adidas (+1,3%).

O último dado de encomendas de bens duráveis dos EUA deu sustentação às ações em Wall Street, refletindo até certo ponto na Europa. As encomendas caíram 7,3% em julho ante junho, bem mais do que o declínio de 4% previsto por analistas consultados pela Dow Jones. Embora o dado seja ruim, cresceram as chances de o Federal Reserve não começar a retirar sua política de estímulos nos EUA já a partir de setembro, como muitos investidores vinham esperando. Afinal, o BC norte-americano condiciona o início do desmonte da política de relaxamento quantitativo a sinais de recuperação da economia dos EUA. A perspectiva de que o Fed mantenha os estímulos por mais tempo que o esperado tende a dar suporte às ações, seja nos EUA ou na Europa. Em Londres, não houve negócios hoje em função de um feriado bancário no Reino Unido. Fonte: Dow Jones Newswires.

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