Fator Ucrânia ainda pressiona bolsas europeias

Nem mesmo a estabilidade da inflação e da taxa de desemprego na zona do euro e os bons resultados de Wall Street na sessão de quinta-feira, 27, estão sendo suficientes para diminuir a cautela das bolsas europeias nesta manhã. Os mercados abriram a sessão em alta, mas logo reverteram os ganhos, ainda pressionados pela tensão política e econômica na Ucrânia.

EDGAR MACIEL, Agencia Estado

28 de fevereiro de 2014 | 09h01

Na madrugada desta sexta-feira, 28, o ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, anunciou que soldados da Marinha da Rússia bloquearam o Aeroporto Internacional de Sebastopol, na Crimeia. O aeroporto fica próximo da base naval russa. Outras dezenas de soldados estão patrulhando o aeroporto de Simferopol, também na Crimeia. Em uma postagem na rede social Facebook, Avakov classificou o bloqueio como "uma invasão e ocupação militar". O governo russo negou as acusações.

No campo econômico, o Banco Central da Ucrânia anunciou um limite de saques diários de contas em moeda estrangeira em 15 mil grívnias (o equivalente a US$ 1,5 mil). O atual primeiro-ministro do país, Arseni Yatseniuk, disse hoje que o governo está pronto para adotar "medidas muito impopulares" na economia e ressaltou que a estabilização do sistema financeiro "é prioridade". O temor no mercado europeu é que haja uma corrida em massa aos bancos ucranianos, o que pode diminuir a liquidez do sistema financeiro local e ser o estopim para uma crise financeira.

Nos Estados Unidos, o depoimento no Senado da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, sinalizou com a possibilidade de a instituição fazer uma pausa na redução de seu programa de estímulo à economia. Esse cenário, segundo Yellen, só será utilizado caso se confirme que não foi somente o inverno rigoroso que provocou uma debilidade nos últimos indicadores norte-americanos. "Está claro que o clima teve alguma influência nesses indicadores. O que precisamos fazer agora é descobrir que parte da fraqueza deles se deve ao clima", disse Yellen. Após o depoimento, as bolsas de Nova York fecharam em alta ontem, com o S&P 500 registrando um novo nível recorde.

Entre os indicadores europeus, o destaque desta manhã foram números referentes à zona do euro. O índice Eurocoin de atividade econômica subiu para 0,35 em fevereiro, de 0,31 em janeiro, impulsionado pela confiança empresarial e pelos preços das ações. A taxa de desemprego do bloco permaneceu inalterada em 12% em janeiro, mas o número de desempregados subiu 17 mil - a primeira alta desde setembro de 2013.

Mesmo não revertendo a tendência negativa nos mercados, o índice de preços ao consumidor (CPI) preliminar de fevereiro deu sinais de como pode ser a decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) na próxima semana. O CPI teve alta anual de 0,8%, a mesma que em janeiro. O resultado, porém, ficou acima da previsão de +0,7%. Nos últimos encontros, os membros do BCE têm, repetidamente, sinalizado que não veem um cenário de deflação na região e mantiveram a taxa de juros na mínima histórica de 0,25%.

Enquanto isso, as vendas no varejo da Alemanha avançaram 2,5% em janeiro ante dezembro de 2013. O resultado ficou acima das estimativas de alta de 1% e dá algum suporte para a Bolsa de Frankfurt.

No mercado corporativo, as ações do Bankia, na Espanha, estavam caindo 3,92% às 8h35 (de Brasília) depois que o governo espanhol vendeu por 1,3 bilhão de euros a participação de 7,5% no banco. O Estado ainda é dono de 60,89% do banco espanhol. No começo da sessão, a venda dos papéis chegaram a ser suspensas na Bolsa de Madri, mas a comercialização foi retomada na manhã desta sexta-feira, 28.

Em Londres, a Serco registra forte alta, de 7,16% - maior ganho desde 5 de março de 2013. O mercado mostrou otimismo com a notícia de que Rupert Soames, atual presidente da Aggreko, deve assumir o posto na empresa britânica. Também no campo positivo, as ações da Old Mutual - maior seguradora da África - subiam 5,05% depois que a empresa adquiriu a Intrinsic Financial Services por uma quantia não revelada.

No horário acima, a Bolsa de Londres caía 0,29%; Paris recua 0,63%; Frankfurt perde 0,19%; Madri desvaloriza 1,45%, Milão -0,46% e Lisboa -0,01%.

Tudo o que sabemos sobre:
bolsas de valoresEuropaUcrânia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.