Fed, BoE e BCE devem manter juros estáveis até 2011

Cristiano Souza, do Santander, diz que BCs devem ser cautelosos antes de retirar os estímulos monetários

Luciana Xavier, da Agência Estado,

05 de novembro de 2009 | 16h02

Os bancos centrais dos Estados Unidos, Zona do Euro e Inglaterra devem ser cautelosos antes de começar a retirar os estímulos monetários de suas economias, o que só deverá ocorrer em 2011, acredita o economista do Santander Cristiano Souza, em entrevista ao AE Broadcast ao Vivo.

 

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Até lá, de acordo com o economista, serão muitas reuniões em que o Federal Reserve (Fed), Banco Central Europeu (BCE) e Banco Central da Inglaterra (BoE) devem anunciar a mesma coisa: juros estáveis. "Os comunicados também devem vir praticamente inalterados pois as últimas reuniões ficaram muito próximas e não houve grandes mudanças (nos cenários) desde então", afirmou.

 

No caso do Fed, o anúncio de que os Fed Funds ficarão mais uma vez na faixa de zero a 0,25%, patamar em que estão desde dezembro de 2008, deve vir logo no final desta tarde. O BCE deve manter os juros em 1% e o BoE, em 0,50%, sendo que o banco central inglês deve ainda aumentar o limite de compra de ativos em £ 50 bilhões para £ 225 bilhões, espera Souza. Esses dois BCs anunciam as decisões amanhã.

 

Souza disse que não somente a política monetária deve seguir relaxada, como os estímulos fiscais não devem ser retiradas tão cedo. Segundo ele, os EUA poderiam, inclusive, precisar de mais estímulos no ano que vem, quando vier uma nova desaceleração da economia.

 

O economista disse que o PIB forte do 3º trimestre, com crescimento de 3,5%, "ratifica o cenário de melhora da atividade". A dúvida, no entanto, é se esse cenário é saudável, sustentável, pondera Souza. "O PIB do 4º trimestre também deve vir forte. Não é impossível que cresça 3%. Mas ainda há fundamentos adversos que devem levar a uma desaceleração da economia no começo do ano que vem", disse.

 

Os principais, segundo Souza, seriam o consumo ainda fraco e o desemprego cada vez mais alto, que deve bater em breve os 10%. "Não necessariamente os EUA terão recessão em W (duplo mergulho). Não acho que isso irá ocorrer, a menos que houvesse uma segunda rodada de piora dos mercados financeiros".

 

A retirada dos estímulos fiscais e monetários tanto nos EUA como na Europa também aumentariam o risco de um duplo mergulho na recessão, ressaltou. Com juros sendo mantidos em níveis historicamente baixos até 2011 e as políticas fiscais seguindo em curso ao longo de 2010, Souza avalia que será possível uma retomada mais estável. "Uma recuperação mais sustentável só virá no final de 2010 e em 2011", concluiu.

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