Fed e CPI agitam mercado na semana do carnaval

Em semana de carnaval, a liquidez dos mercados tende a ser reduzida, o que não tira a importância de alguns eventos e indicadores programados, especialmente no exterior. Os dois principais são a ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) de janeiro. Ambos serão anunciados na Quarta-Feira de Cinzas. ?São tão importantes que teriam destaque mesmo em uma semana sem carnaval?, observou Dalton Gardiman, economista-chefe do Banco Credit Lyonnais. Segundo ele, a expectativa dos investidores é positiva tanto para a ata quanto para a inflação. De acordo com Gardiman, o documento do BC americano deve confirmar os recentes discursos de autoridades do Fed e o próprio comunicado divulgado após a última reunião (realizada nos dias 30 e 31 de janeiro), que apontam inflação em queda e atividade econômica moderada. ?Se mudarem de idéia, será o samba do crioulo doido?, brincou. ?Foi essa percepção do Fed que abriu caminho para a forte valorização dos ativos nas últimas semanas.? As perspectivas também são boas em relação ao CPI. A projeção mais freqüente dos analistas é de que o número cheio apresente uma alta de 0,1% em janeiro. Para o núcleo, que exclui combustíveis e alimentação, a previsão é um avanço de 0,2%. ?Hoje não há a mesma preocupação com o CPI que havia seis meses atrás?, disse Gardiman. Brasil No Brasil, a agenda está esvaziada justamente por causa do feriado de carnaval. Os dois destaques são o balanço de transações correntes relativo a janeiro, que sai sexta-feira, e a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) também de janeiro, na quinta-feira. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) fecham hoje e amanhã e reabrem na Quarta-Feira de Cinzas, às 13 horas. No mercado interno, os investidores continuarão atentos às oscilações do dólar. A moeda americana encerrou a semana passada cotada abaixo de R$ 2,10, apesar das intervenções mais pesadas do Banco Central (BC). ?Por enquanto, apenas a luz amarela está acesa. Ainda faltam entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões para acender a vermelha?, disse Gardiman, referindo-se ao espaço que vê para o BC manter a política de compras da moeda americana. Para alguns analistas, o custo fiscal das intervenções está muito elevado e, por isso, o BC deveria rever sua estratégia. Hoje os EUA comemoram o Dia do Presidente e os mercados não abrem.

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