Fed provavelmente deve olhar para queda dos preços do petróleo

Muita coisa mudou na economia dos Estados Unidos desde que as autoridades do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) emitiram suas projeções econômicas, em setembro. Os preços do petróleo caíram mais de um terço, o dólar subiu 5,3% contra um ampla gama de moedas e mais de cerca de 800 mil americanos encontraram empregos.

Estadão Conteúdo

14 Dezembro 2014 | 18h48

Estes desenvolvimentos apresentam desafios que se sobrepõem à maneira como a presidente do Fed, Janet Yellen, e seus colegas do banco central vem lidando com as mudanças econômicas domésticas e com o nervosismo do exterior. Yellen vai realizar uma coletiva de imprensa na quarta-feira, após a reunião de dois dias de política do Fed, para discutir as perspectivas do banco central e planejar o início de 2015.

A queda dos preços do petróleo é um impulso para o consumidor americano. Mas os preços baixos também estão pressionando os já baixos níveis de inflação, o que potencialmente deve distanciar o país do objetivo do Fed de um aumento anual de 2% nos preços ao consumidor.

Se as autoridades do Fed colocarem mais peso na queda da inflação, eles devem adiar o aumento das taxas de juros, esperado para meados de 2015. Se colocarem maior peso sobre a força econômica subjacente, eles devem seguir o planejado, ou mesmo acelerar o aumento. Os sinais até agora são de que o Fed irá proceder como o planejado.

"A queda dos preços de energia é benéfica para a economia norte-americana", disse o presidente do Fed de Nova York, William Dudley, em um discurso no início deste mês. O vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, disse recentemente ao Wall Street Journal que "se o mercado de trabalho continuar a se fortalecer e se enxergamos alguns sinais de que a inflação vai começar a aumentar, então a coisa natural é fazer com que a taxa de juros suba."

Para o diretor de economia financeira da IHS Global Insight, com o preço médio do petróleo em cerca de US$ 60 o barril no próximo ano (valor atual) a economia dos EUA cresceria 2,7% e o desemprego terminaria o ano em 5,5%, dentro das estimativas do Fed para suas metas de longo prazo. No entanto, sob esse cenário, a inflação ficaria, em média, apenas um pouco acima de zero em 2015.

A resposta do mundo aos preços baixos do petróleo são mais um desafio para Yellen. O resto do mundo, especialmente a zona do euro, pode não desfrutar dos mesmos benefícios, porque "o petróleo é mais importante a economia dos EUA do que é para a da Europa", explica o economista global para o Wells Fargo, Jay Bryson. Para as economias mais avançadas do mundo, "é claramente um benefício, mas não é isto que vai fazer com que a zona euro volte a crescer", disse Bryson.

A inflação baixa associada à queda dos preços do petróleo poderia aumentar a pressão sobre o Banco Central Europeu e o Banco do Japão para ampliar políticas de dinheiro fácil, mesmo com o Fed em direção à uma política de controle. Essas divergências nas políticas monetárias poderiam conduzir a um dólar ainda mais alto, exercendo novas pressões sobre as exportações americanas. Fonte: Dow Jones Newswires.

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