Fertibrás leva briga com Bunge à Justiça e ao Cade

A Fertibrás, controlada pela Yara Brasil Fertilizantes S.A., pediu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que vete a fusão da Fosfertil e da Bunge anunciada em dezembro.A Fertibrás é uma das controladoras da Fosfertil, junto com a Cargill e com a própria Bunge. No pedido feito ao Cade, a Fertibrás alega que a fusão favorece a Bunge, prejudica os outros acionistas e leva a uma concentração na produção de fertilizantes no País. A empresa também sustenta que a fusão destrói a estrutura de compartilhamento do controle da Fosfertil e dá poder absoluto à Bunge.Segundo Lair Hanzen, presidente da Yara, a empresa também ingressou com uma ação na Justiça em São Paulo na qual pede que a proposta de fusão seja votada pelos sócios e não pelos membros do conselho de administração. Hanzen alega que a estrutura do conselho foi alterada em benefício da Bunge, que obteve no final do ano passado, após o anúncio da fusão, a aprovação desta instância de decisão.A briga interna na Fosfertil tem como horizonte a disputa pelo quarto mercado mundial de fertilizantes. O Brasil está atrás apenas da China, dos Estados Unidos e da Índia no consumo de adubo industrializado. O País consome mais de 20 milhões de toneladas, um negócio que movimenta cerca de US$ 5 bilhões por ano. A Bunge, segundo alegação da Fertibrás, detém um terço deste mercado e com a fusão com a Fosfertil passa a deter ainda 90% das reservas minerais de fosfato, um dos nutrientes mais importantes usados na produção de fertilizantes.Em comunicado distribuído ao mercado logo depois do anúncio da fusão, a Bunge defendeu a união como a forma mais eficaz de enfrentar a competição dos produtores de fertilizantes internacionais no mercado brasileiro.A união tem o objetivo de criar uma companhia com faturamento de R$ 5,8 bilhões por ano. Além disso, a nova Fosfertil, com as operações da Bunge Fertilizantes, teria ganhos de US$ 45 milhões a US$ 60 milhões com economias de escala. A proposta de união também prevê que todas as ações preferenciais da Fosfertil sejam convertidas em ações ordinárias.Procurada pela reportagem da Agência Estado, a Bunge não quis se pronunciar sobre a decisão da Fertibrás contra o negócio, tampouco sobre as acusações que teria manobrado a composição do conselho de administração a fim de obter condições de promover a reestruturação. Argumentou apenas, por intermédio da assessoria de comunicação, que a fusão não cria concentração na produção de fosfato e que a medida assegura as condições para enfrentar a importação de fertilizantes fosfatados e nitrogenados. Boa parte desta venda, alegou, é feita pela Yara e pela Mosaic, exatamente as empresas que contestam a operação.BrigaA guerra entre os acionistas da Fosfertil esquentou em abril do ano passado, quando a Bunge mudou a composição do conselho de administração formado até então por cinco membros da Bunge, três da Mosaic e um da Fertibrás. Decisões relevantes precisavam de pelo menos 7 dos 9 votos e a Mosaic tinha o chamado direito de veto. A Mosaic reúne todos os ativos de fertilizantes da Cargill.A Bunge ampliou o número de conselheiros em abril de 2006, alegando não cumprimento de regras por parte da Mosaic. Com isso, conseguiu aprovar no final de dezembro a incorporação da divisão de fertilizantes na Fosfertil. A Fertibrás foi o único voto contrário.Esta mudança é uma das contestações pendentes na Justiça. A Cargill entrou com uma ação questionando a mudança do conselho e, portanto, a validade da votação que aceitou o ato de fusão. Foi desta ação que saiu a liminar bloqueando a assembléia da Fosfertil que poderia ratificar a fusão.

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