FGV escolhe Bradesco como melhor conglomerado de varejo em 2005

O Bradesco foi o melhor grupo financeiro de varejo em 2005, segundo estudo elaborado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) para a revista Conjuntura Econômica, da mesma entidade, sob o título ?Os Melhores Conglomerados Financeiros do Brasil?. A seleção dos melhores grupos foi feita para cinco diferentes segmentos: varejo, atacado e negócios, financiamento, middle market e público.O lucro líquido recorde de R$ 5,5 bilhões alcançado pelo Bradesco no ano passado foi um dos fatores que contribuíram para a posição da instituição no estudo. Outros fatores de destaque na avaliação do banco, segundo a revista, foram a forte ampliação da carteira de crédito e a consolidação da maior rede de atendimento nas regiões Norte e Nordeste - nesta última, devido à aquisição do Banco do Estado do Ceará (BEC).O Bradesco também conquistou a liderança do setor bancário da América Latina em valor de mercado, atingindo R$ 85 bilhões ao final de 2005. No acumulado do ano, as ações ordinárias da instituição subiram 133% e as preferenciais, 118%. Em 2006, o banco vem tomando medidas para que o bom resultado se repita. No primeiro trimestre, por exemplo, comprou a operação brasileira da empresas de cartões de crédito American Express.O estudo elaborado pela FGV escolheu o banco Morgan Stanley como o melhor grupo de atacado e negócios no ano passado. No Brasil desde 1996, a instituição registrou em 2005 seu melhor ano, com lucro líquido de R$ 110 milhões. Entre os destaques da atividade do banco está a realização de ofertas públicas de ações do grupo Cosan, Banco Nossa Caixa e companhia aérea Gol.Todo o segmento de atacado e negócios se beneficiou em 2005 da retomada do mercado de capitais no País, que se refletiu no grande número de aberturas de capital de empresas. A estabilidade econômica é uma das principais justificativas para o crescimento do mercado e, conseqüentemente, para os bons desempenhos dos bancos de atacado e negócios no País.No segmento de financiamento, o BMG foi escolhido o melhor de 2005. O banco manteve o foco de crescer no crédito consignado e, bem-sucedido, obteve lucro líquido de R$ 382,8 milhões no ano passado, com expansão de 39,2% em relação aos R$ 275 milhões registrados em 2004.O BMG ainda promoveu grande alteração na composição do funding, trocando parte da captação via Certificado de Depósito Bancário (CDB) por operações de fundos de recebíveis e lançamento de títulos no exterior. Essa é a sexta vez que o banco é destacado como o melhor do segmento de financiamento na premiação concedida pela revista Conjuntura Econômica.O estudo escolheu como melhor grupo do segmento de middle market (médias empresas) o Daycoval, que elevou o volume de operações de crédito em 49,5% no ano passado, para R$ 933 milhões. A atividade de atendimento às médias empresas sofreu no País com a quebra do Banco Santos, no final de 2004, mas o Daycoval conseguiu se sair bem. A rentabilidade foi de 22,3% em 2005 e os depósitos subiram 76,3%, para R$ 935 milhões.Já no último segmento, o de bancos públicos, o escolhido pelo estudo como o melhor do ano passado foi o Banco do Estado do Ceará (BEC). Com carteira de crédito de R$ 257 milhões, alta de 25,5% em relação a 2004, e rentabilidade de 20,9%, a instituição foi comprada em dezembro último pelo Bradesco, por R$ 700 milhões, assim não concorrerá mais nessa categoria nos próximos estudos.Essa é a terceira vez consecutiva que o BEC é eleito o melhor do segmento público pela FGV. Para se preparar para a privatização, o BEC passou 2005 preocupado com a liquidez e a solidez financeira, apresentando uma atuação conservadora, já que os ativos estão majoritariamente em títulos do governo e o restante em crédito consignado para funcionários públicos.Considerando-se os cem maiores conglomerados financeiros do Brasil, o lucro passou de R$ 20,3 bilhões em 2004 para R$ 28,6 bilhões no ano passado, com um salto de 40,9%, segundo a FGV. Os ativos totais avançaram 17,2%, para R$ 1,488 trilhão. Os bons resultados devem-se, principalmente, à expansão do crédito. A carteira dos bancos subiu 22,3% e atingiu R$ 460,3 bilhões, demonstra o estudo.A metodologia da seleção levou em consideração indicadores de crescimento no mercado nacional, de desempenho econômico-financeiro e de porte. Os critérios usados foram os mesmos nos cinco segmentos analisados. Para cada indicador, a FGV criou um ranking de classificação. A ordenação final por qualidade foi feita com base na posição média de cada banco nos diferentes rankings, obedecendo a uma estrutura de pesos atribuída a cada indicador.A entrega do prêmio ?Melhores Conglomerados Financeiros do Brasil? será realizada hoje, no Hotel Intercontinental, em São Paulo, a partir das 19 horas. O evento contará com a presença do presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. A revista Conjuntura Econômica é editada pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV.

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