FGV prevê desvalorização do real em 2006

Dificilmente a taxa de câmbio terá em 2006 a mesma atuação de 2005, com o real extremamente valorizado diante do dólar. O movimento de descompressão do câmbio fará com que os IPCs e IGPs se reaproximem, convergindo para a meta de inflação de 5,1% estimada pelo Banco Central para este ano. "Em 2005, houve fator extraordinário que foi a valorização forte da taxa de câmbio. É difícil achar que haverá outra coisa parecida neste ano", estima o coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV, Salomão Quadros. Em entrevista no Conjuntura Econômica, programa produzido pela FGV e veiculado pela TV Cultura, Quadros previu queda lenta e gradual da inflação no início deste ano, cujo fator principal é justamente o resultado tão baixo dos IGPs em 2005 (abaixo de 2%). "Como os IGPs são indexadores de vários contratos de prestação de serviços em geral, e começando o ano com um nível tão baixo, os primeiros contratos de 2006 também serão reajustados nesse nível", explicou. "Enquanto a inflação geral estará acima de 5%, a dos preços administrados estará abaixo de 2%", complementou. Mesmo com a prevista redução da taxa de juros pelo Banco Central para este ano, Salomão Quadros não acredita que a baixa da Selic, usada para controlar os índices inflacionários, impactará a inflação. "Ainda que o BC aperte o passo para reduzir os juros, creio que vai chegar o momento em que vai parar para avaliar a demanda, o câmbio", acredita. A autoridade monetária, segundo o economista, não pisaria no aceleradornum ano eleitoral, até para não se sentir forçada a ter de subir os juros depois, perto das eleições. Nem mesmo a alta para R$ 350 no salário mínimo, anunciada ontem pelo presidente Lula, deve trazer impactos à inflação. Na avaliação de Salomão Quadros, a economia está desaquecida e o consumo pode crescer um pouco, mas não a ponto de "influenciar a inflação".

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