"Fim da era Palocci" pode gerar correção no juro futuro

O "fim da era Palocci", nas palavras do ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), não foi entendida como uma surpresa pelo mercado financeiro. Mas, mesmo assim, pode provocar alguma correção da curva de juros. Ao longo do período da campanha eleitoral, houve sinalizações de que o segundo governo Lula teria preocupações em avançar no crescimento econômico. E que, isso, poderia reduzir o rigor fiscal que caracterizou a gestão de Antonio Palocci à frente da Fazenda. Essa percepção foi comentada, muitas vezes, por operadores de mercado, como um fator negativo. Mas não havia ainda afetado os preços de forma expressiva. Agora, com a confirmação da vitória de Lula, as declarações de integrantes do governo apontando para uma postura mais desenvolvimentista não surpreendem. Mas também não agradam. "O mercado fica incomodado, porque não tem certeza do nível de comprometimento fiscal do segundo governo Lula", explica um operador. Essas dúvidas devem ter impacto sobre a parte mais longa da curva, ou seja, sobre os contratos futuros de DI (depósito interfinanceiro) com vencimentos a partir de 2009. Até lá, dizem profissionais, parece assegurada a trajetória de queda da taxa Selic. Afinal, se já existia essa aposta, baseada em fatores técnicos, as especulações de que o governo adotará uma postura focada no crescimento só ampliam a expectativa de que a Selic vai cair. As incertezas ficam para o médio e longo prazo. E, por isso, operadores prevêem o clássico movimento de investidores tomarem recursos nos contratos de longo prazo, e doarem recursos no curto prazo. "A curva deve empinar um pouco, mas, mesmo assim, esse movimento deve acontecer em um nível mais baixo de taxas", explica um operador. "Será apenas uma proteção, uma forma de embutir um risco maior no longo prazo. Mas não enxergo um ambiente de nervosismo", diz um operador. Profissionais afirmam que os juros serão influenciados hoje pelo comportamento do mercado internacional. Na sexta-feira, o mercado já reagiu à divulgação do PIB norte-americano do terceiro trimestre, mais fraco que o previsto. No pregão da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), o DI com vencimento em janeiro de 2008 projetava taxa de 13,05% ao ano às 10h12, ante fechamento a 13,06% na sexta-feira.

Agencia Estado,

30 de outubro de 2006 | 10h16

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