Fluxo de dólares volta a ser positivo em julho

O Brasil voltou a ter saldo positivo em julho no fluxo de dólares pelo mercado de câmbio, segundo o Banco Central. O País registrou um ingresso líquido de US$ 2,49 bilhões, invertendo o saldo negativo de US$ 2,68 bilhões registrado em junho, no auge da turbulência do mercado financeiro internacional. De janeiro a julho, o fluxo foi positivo em US$ 25,621 bilhões. "O resultado de julho não deve ser interpretado como o retorno do otimismo dos investidores, mas como a volta da normalidade no mercado", disse o economista-chefe da GAP Asset Management, Alexandre Maia. Segundo ele, em junho a situação foi atípica pelo nervosismo dos mercados. "Poderemos dizer que o otimismo voltou se nos próximos meses houver saldos positivos como o de fevereiro e março (quando o ingresso mensal foi próximo de US$ 8 bilhões)." Maia destacou que o fluxo de dólares originados da balança comercial sustentou o saldo positivo de julho. De acordo com o BC, o ingresso de dólares pelo câmbio comercial em julho foi de US$ 4,79 bilhões, ante US$ 3,57 bilhões no mês anterior. No ano, o saldo é positivo em US$ 32,65 bilhões. "O comércio é a grande âncora do fluxo de dólares", disse. O economista acrescentou que, no câmbio financeiro, houve resultado negativo de US$ 2,30 bilhões, o que referenda o raciocínio de que o otimismo ainda não voltou, embora em junho a saída tenha sido bem maior, de US$ 6,25 bilhões. "Ainda não vemos entradas de dólares significativas para investimentos em bolsa, por exemplo." Para o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, a tendência é que o fluxo de dólares para o Brasil melhore, embora ainda existam algumas incertezas no cenário econômico mundial. Ele ressaltou que, passada a fase de ajustes de investimentos e com o mercado mais calmo, a tendência é que o Brasil recebe mais recursos, especialmente pelo câmbio financeiro, por conta do juro alto e da lucratividade das empresas do País, que tem aumentado. Segundo Agostini, a queda forte no saldo negativo do câmbio financeiro mostra que isso está acontecendo. "Em junho, só tinha gente saindo. Agora tem dólares entrando pelo câmbio financeiro", argumentou.

Agencia Estado,

03 de agosto de 2006 | 08h55

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