Fluxo para fundos de bônus emergentes segue forte apesar da crise

Entrada de novos recursos, de US$ 1,23 milhão, foi a segunda maior após o recorde de US$ 1,8 milhão na semana de 14/04

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

30 de abril de 2010 | 15h18

O fluxo de investimentos para fundos de bônus de mercados emergentes continuou forte na semana até a última quarta-feira (28), apesar do agravamento da crise de confiança na Europa com o rebaixamento do rating soberano da Grécia e de Portugal, na terça-feira, e da Espanha, na quarta-feira.

Os fundos de bônus de mercados emergentes tiveram um aumento de US$ 482 milhões nos ativos sob administração na semana até 28 de abril, segundo os cálculos do economista-chefe de estratégia em mercados emergentes do Banco ING, David Spegel. O fluxo de entrada de novos recursos, de US$ 1,229 milhão, foi o segundo maior após o recorde de US$ 1,799 milhão registrado na semana concluída em 14 de abril. Os detalhes dos números continuaram apontando preferência aos fundos de moedas locais, que na semana até 28 de abril receberam US$ 928 milhões em recursos.

"Eu diria que os problemas nos países desenvolvidos - particularmente dentro da zona do euro - encoraja os investidores a buscar os benefícios da diversificação em mercados emergentes", disse Spegel em entrevista à Agência Estado. De acordo com o estrategista, todos os fundos de renda fixa - não apenas os de bônus emergentes - estão recebendo recursos. Entretanto, o fluxo para os fundos de bônus de mercados emergentes tem sido desproporcionalmente maior, com renovação de recordes em consequência de "melhores perspectivas de crescimento e de um declinante risco de default dos emergentes em comparação aos mercados desenvolvidos". 

O EPFR Global, que fornece dados sobre o fluxo dos fundos e sobre alocação de ativos, informou hoje em nota que os fundos de bônus de mercados emergentes receberam mais de US$ 5 bilhões em novos recursos em abril.

Spegel destacou ainda o desempenho dos fundos norte-americanos de bônus de elevado rendimento e de bônus municipais, "os quais recebem fluxos saudáveis de investimento, em consequência da vantagem de rendimento em comparação ao mercado de dinheiro, que está abaixo de 0,25%". Segundo Spegel, aproximadamente US$ 1 trilhão de recursos saíram dos fundos de money markets nos últimos 12 meses.

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