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Fórum Econômico Mundial questiona se alta de ações pelo mundo é sustentável

Em documento, economista lembram que altas como a que se vê hoje precederam crises profundas no passado

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2018 | 13h46

LONDRES - Num momento em que mercados acionários de várias partes do mundo - inclusive no Brasil - registram recordes de alta, o Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, questionou nesta quarta-feira, 17, em seu Relatório sobre Riscos Globais 2018, se a elevação dos preços das ações nas bolsas de valores é sustentável. 

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O documento lembra que nos últimos oito anos vem prevalecendo a tendência de alta nos pregões do mercado financeiro e teme que esse possa ser outro episódio de "exuberância irracional", numa sinalização de que as lições da crise financeira internacional de 2008 podem não ter sido totalmente absorvidas e que o ambiente possa se tornar propício a uma "correção profunda".

O Relatório cita que o Dow Jones teve alta de 25% no ano passado; o S&P 500 subiu 19%; a Bolsa de Hong Kong avançou 35%; a japonesa, 19%; a alemã, 11% e a francesa, 8% - o Brasil não foi citado, mas registrou ganhos de 27% em 2017. 

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No caso das bolsas norte-americanas, o Fórum salienta que em apenas dois momentos as ações subiram mais do que agora, justamente antes de períodos de crise, em 1929 e 2000.

As avaliações em relação a títulos de dívida são ainda mais "dramáticas", conforme o documento. Em meados de 2017, cerca de US$ 9 trilhões desses papéis registravam rendimento negativo e esta anomalia reflete o impacto dos enormes programas de compra de ativos lançados pelos bancos centrais na sequência da crise. O movimento, analisa o Fórum, parece se divorciar da tendência dos preços dos ativos.

No caso de haver uma correção acentuada de mercado, conforme o documento, o impacto sobre a economia real seria indiscutivelmente maior em países mais expostos a setores e mercados nos quais as bolhas se formaram. Como exemplo, citou um país economicamente dependente das exportações de uma commodity, cujo valor pode desabar. 

"O impacto da confiança e dos efeitos da riqueza significa que os impactos da economia real também se sentiriam fortemente em países - notadamente os Estados Unidos e o Reino Unido - em que a propriedade dos ativos financeiros é mais difundida", trouxe o relatório.

O documento menciona ainda que não são apenas os preços de ações e títulos que aumentaram recentemente e dá como exemplo o segmento imobiliário. 

"A inflação em todas essas classes de ativos tradicionais foi reduzida por ativos mais especulativos, como a moeda criptografada bitcoin, que viu seu valor aumentar cerca de 1.200% em 2017", ilustrou.

Uma nova fonte de risco potencial de mercado atualmente, segundo o Fórum, é que as inovações em ativos financeiros e gerenciamento de ativos ainda não foram testadas em condições de crise. Um exemplo são os fundos negociados em bolsa (ETFs), que cresceram em valor em 500% desde 2008 e agora representam US$ 4 trilhões de ativos e cerca de 25% de todas as ações no mercado de ações dos Estados Unidos. 

"Alguns analistas sugerem que os ETFs aliviarão o golpe de uma grande correção do mercado, enquanto outros acreditam que eles iriam exacerbá-lo." 

 

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