Funcef estuda investimentos no exterior

Um dos entraves para esta estratégia é a proibição para as fundações investir no exterior por meio de fundos exclusivos, o que seria a preferência da Funcef

Natalia Gómez, da Agência Estado,

30 de março de 2010 | 08h29

A Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, já está começando a estudar a possibilidade de investir no exterior. A alternativa foi criada com a nova regulamentação do setor, em vigor desde setembro do ano passado. Segundo o gerente de operações financeiras, Maurício Marcellini Pereira, a fundação tem sido assediada por gestores a respeito deste assunto, e deve apresentar ao seu conselho algumas alternativas específicas de investimentos externos, como índices de outros mercados emergentes, empresas do setor de óleo e gás e mercado secundário de private equity. "Devemos apresentar algumas opções no segundo semestre para testar o apetite da fundação", afirmou durante o evento Fundos de Pensão e as Novas Oportunidades da Resolução 3792, realizado ontem em São Paulo.

 

O executivo destacou que a meta da Funcef para 2010 ainda prevê investimento zero no exterior, mas que o Conselho Deliberativo do fundo de pensão já permite um limite máximo de 2% neste tipo de aplicação, o que representa cerca de R$ 700 milhões a R$ 800 milhões dentro do patrimônio de R$ 38,9 bilhões do fundo. A resolução 3792 permite uma exposição de até 10% para estes investimentos. De acordo com Pereira, o mercado ainda não apresentou nenhum projeto específico de investimento para a fundação, mas gestores têm trazido algumas ideias neste sentido. "Estamos aguardando o mercado desenhar os produtos", disse.

 

Um dos entraves para esta estratégia é a proibição para as fundações investir no exterior por meio de fundos exclusivos, o que seria a preferência da Funcef. Segundo Pereira, a necessidade de encontrar parceiros com o mesmo perfil da fundação para participar de fundos abertos pode ser um fator complicador. Mesmo assim, ele acredita que a formação destas parcerias ficará mais fácil depois que o mercado tiver criado alternativas de produtos.

 

No mercado interno, a grande preocupação da Funcef é de diversificar seus investimentos para atingir sua meta atuarial no atual cenário de juros baixos. Recentemente, a fundação revisou sua meta de INPC mais 6% para INPC mais 5,5%, o que gerou um impacto de R$ 1,65 bilhão em seu passivo. Para obter esta diversificação, a Funcef pretende aumentar sua alocação em renda variável, principalmente por meio de investimentos em participações, além de reduzir sua exposição a títulos de renda fixa atrelados a juros, migrando esta exposição para títulos atrelados à inflação.

 

O fundo de pensão tem 52,5% do patrimônio em renda fixa, 35,7% em renda variável, 7,8% em investimentos imobiliários, 3,8% em operações com participantes e 0,1% em outros. No segmento de participações, a fundação tem R$ 2,5 bilhões de capital comprometido em investimentos em 36 fundos de private equity e cerca de R$ 1,5 bilhão já aplicados. Nesta área, atraem sua atenção os setores de óleo e gás, infraestrutura e logística, e o setor imobiliário, como shoppings, hotéis e galpões.

 

Para os investimentos em ações, a estratégia da Funcef é diversificar ainda mais a sua exposição a diferentes empresas e setores. "Nosso foco está em buscar empresas que estão descontadas por falta de liquidez, questões de gestão ou por falta de cobertura dos analistas", disse. Parte da sua carteira é gerida por quatro gestores - Fama, Tarpon, Rio Bravo e Orbe - e seu patrimônio passou de R$ 200 milhões para R$ 390 milhões nos últimos 11 meses, segundo o executivo.

 

Questionado sobre o mercado de letras financeiras, regulamentado recentemente pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), Pereira afirmou que a Funcef está interessada, mas que os bancos ainda não mostraram muito apetite nesta área devido à cláusula de subordinação e ao recolhimento de compulsório previstos neste tipo de aplicação.

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