Fundos de investimento captam R$ 34 bilhões no ano até 26 de março

Investidores estão preferindo aplicações mais conservadores, como fundos de renda fixa e DIs

Altamiro Silva Júnior, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 08h28

Os fundos de investimentos devem fechar o primeiro trimestre deste ano com crescimento de mais de 140% nas aplicações em comparação a igual período de 2009. Até o dia 26, último dado disponível, os fundos têm captação líquida de R$ 34 bilhões, expansão de 143% em relação aos R$ 14 bilhões registrados no primeiro trimestre fechado do ano passado, mostram dados preliminares do site Fortuna, especializado no mercado de gestão de recursos.

 

Os investidores estão preferindo aplicações mais conservadores, como fundos de renda fixa e DIs. Mas as carteiras mais arriscadas, como os multimercados e fundos de ações, também estão captando, embora em menor ritmo.

 

Os fundos de curto prazo, renda fixa e DI tiveram captação líquida de R$ 11,7 bilhões este ano, até o dia 26, revertendo movimento do primeiro trimestre de 2009, quando tiveram saques de R$ 7,8 bilhões. No período, em meio à crise financeira mundial e a queda dos juros básicos, esses fundos perderam recursos para a poupança (que não cobra Imposto de Renda e nem taxa de administração). Também perderam para os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) dos bancos, que aumentaram a remuneração desses papéis para captar no mercado, que estava com a liquidez baixa.

 

"Os CDBs não estão sendo tão competitivos agora", disse o diretor do site Fortuna, Marcelo D'Agosto. Por isso, a volta dos investidores para as carteiras mais conservadoras. Outro fator que incentiva as aplicações é a expectativa de alta da taxa de juros, que melhora, por exemplo, os ganhos dos fundos DI. A expectativa é de uma elevação na reunião de abril do Copom.

 

Os fundos multimercados continuam captando, mas reduziram o ritmo em relação ao primeiro trimestre de 2009. Naquele período, captaram R$ 5,3 bilhões. Este ano, até o dia 26, receberam R$ 2,3 bilhões.

 

Em ano eleitoral, D'Agosto avalia que os multimercados podem atrair recursos, por conta da possibilidade de aplicar até 20% do patrimônio no exterior. Se o cenário ficar muito instável, podem funcionar como proteção (hedge) para uma eventual piora do mercado local, avalia o gestor. O Itaú lançou um fundo que compra papéis da bolsa americana. Já o Société Générale, a BNY Mellon Ativos e a gestora inglesa AHL criaram uma carteira que aplica em mercados futuros no exterior.

 

Os fundos de ações também estão atraindo aplicações. Depois de registrarem captação líquida negativa de mais de R$ 700 milhões nos três primeiros meses de 2009, este ano eles captaram R$ 1,9 bilhão em valores líquidos até o dia 26 de março. "As taxas de juros estão baixas. É preciso buscar diferencial na renda variável", diz o sócio-diretor da Totem Investimentos, Fábio Souza da Silva.

 

Outra categoria com forte captação foi a dos fundos de poder público, que receberam R$ 17,5 bilhões este ano, crescimento de 41%. Esses fundos fazem a gestão de recursos do governo, estados e municípios.

 

A BB DTVM foi a gestora que mais captou recursos no período, com aplicações de R$ 21 bilhões. Em seguida aparece a Caixa (R$ 3,6 bilhões), Itaú (R$ 2,7 bilhões) e Santander (R$ 2,7 bilhões). O setor de fundos tem patrimônio de R$ 1,55 trilhão.

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