Fundos de pensão querem investir mais em ações este ano

Os fundos de pensão planejam aumentar seus investimentos em renda variável em 2007. Diante da perspectiva de queda dos juros, as fundações estão buscando alternativas para cumprir as metas atuariais dos planos e, com isso, atender os compromissos futuros com os participantes. Para o diretor financeiro da Petros, Ricardo Malavazi, este será o último ano em que as aplicações em renda fixa vão bater com folga as metas atuariais do setor. Segundo ele, o cenário de elevados ganhos e baixos riscos oferecidos nas aplicações em títulos públicos tende a mudar no médio prazo. Isto vai estimular as fundações a procurar alternativas de negócios mais ousadas, como as aplicações em renda variável. A Funcef é outro fundo com planos de ampliar seus investimentos em renda variável. A intenção é transferir cerca de R$ 1,2 bilhão antes aplicados em renda fixa para o mercado acionário este ano. O valor representa 21% do total de recursos já aplicados pela fundação no segmento, que soma R$ 5,8 bilhões. A Funcef administra hoje um patrimônio total superior a R$ 24 bilhões, sendo que 66% dos investimentos estavam em títulos públicos ou privados. Para conseguir aumentar a fatia destinada à renda variável, a fundação está montando uma equipe de analistas para avaliar boas oportunidades de investimento para a carteira própria de ações. A meta é ampliar a fatia destinada à renda variável dos atuais 24% para um porcentual em torno de 32% do patrimônio. A Fapes, fundo de pensão dos funcionários do BNDES, é outra que tem planos de investir mais no mercado acionário. "Com os juros em queda, a tendência é aplicar mais em renda variável", explicou o diretor-superintendente, Sebastião José Martins Soares. Entretanto, o executivo frisou que a entidade tem um perfil conservador e que essa migração para a renda variável será calibrada gradualmente. "Não precisamos nos afobar e sair comprando tudo por aí", ponderou. A fundação fechou o ano com um superávit em torno de R$ 500 milhões e um patrimônio na casa dos R$ 4,7 bilhões. Desse total, 43% está em renda fixa, 37% em renda variável, 6% em imóveis e 4% em operações de empréstimos aos participantes. Apesar do perfil mais conservador, o diretor financeiro da Fapes, Ricardo Weiss, lembra que uma das vantagens da entidade é ter um porte médio. "Não somos tão grandes que não possamos fazer apenas investimentos de portfólio", afirmou. Apesar da atenção dos investidores estar mais voltada para o "boom" do mercado acionário, o apetite por renda fixa não deve desaparecer. Malavazi, da Petros, acredita que em 2007 os fundos também vão aumentar a parcela de aplicações em títulos de crédito privados, como debêntures. No ano passado, grandes companhias, como a Vale do Rio Doce, acessaram esse mercado, de olho no crescimento do setor. O cenário semelhante é traçado por Ricardo Weiss, da Fapes. "Temos interesse em títulos privados indexados à inflação", avisou.

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