Fundos de private equity ampliam investimentos em fusões e aquisições

Em 2009, fundos bateram recorde, com 193 operações, o que significa 30% do total de 642 transações anunciadas ao longo do ano

Luciana Collet, da Agência Estado,

10 de fevereiro de 2010 | 18h12

Este ano será de forte investimento para os fundos de private equity em fusões e aquisições, na opinião da PricewaterhouseCoopers. Segundo levantamento feito pela consultoria, a participação desses fundos vem crescendo desde 2006 nas operações, chegando a 35% das transações anunciadas em janeiro passado. No acumulado de 2009, os private equity bateram recorde, com 193 operações anunciadas, o que significa 30% do total de 642 transações anunciadas ao longo do ano passado. Em 2006, as operações envolvendo esses fundos representaram 11% das transações anunciadas; em 2007, eles responderam por 15% e em 2008, 20%.

 

"Investidor do tipo private equity fortaleceu-se no ano de 2009 pois manteve-se como alternativa para as empresas na captação de recursos. Estão capitalizados para investimentos em mais de US$ 10 bilhões e podem iniciar movimentos de investimento utilizando-se de alavancagem financeira", afirma a Price em relatório. Para a consultoria, com a recuperação dos mercados e o aumento de liquidez, há tendência de se observar operações alavancadas.

 

Segundo a Price, empresas de médio porte atuantes em setores com potencial de consolidação e "internacionalizáveis", com atuação em produtos de consumo duráveis e não duráveis e destinados às classes C, D, E, dentre outras características, estão atrativas a este tipo de investidor.

 

No relatório, a consultoria afirma que transações de grande porte e movimentos de consolidação entre grandes players nacionais, visando, dentre outros fatores, o fortalecimento internacional, devem ser observadas. No entanto, avalia que o mercado de fusões e aquisições continuará sendo em sua maioria composto por transações de pequeno e médio porte. Dentre as áreas que deverão apresentar consolidação, foi identificado potencial em infraestrutura, além dos setores relacionados a produtos e serviços de consumo.

 

Ainda segundo a Price, as empresas de capital aberto terão forte atuação nas operações; historicamente essas companhias estão presentes em cerca de 46% das transações. "O mercado de capitais/dívida é forte influenciador de operações de fusão e aquisição e, com a recuperação já verificada e as empresas tendo acesso a recursos, verificaremos a permanência das empresas de capital aberto como importantes atores."

 

Para a Price, o Brasil recuperou o nível de atividade pré-crise, consolidando sua atratividade e posição internacional. Conforme o levantamento realizado pela consultoria, o País teve em janeiro 60 operações de fusão e aquisição. O número ficou abaixo do recorde histórico de 77 transações anunciadas em dezembro de 2009, mas a Price pondera que o primeiro mês do ano tradicionalmente tem menor número de transações e que o volume de negócios verificado a partir de julho apresentou curva ascendente.

 

Em 2009 foram anunciadas 642 transações, número similar ao anunciado no ano anterior. O capital nacional esteve presente em 64% das transações de compra de participação, controladora ou não, no ano passado. A consultoria destaca a curva de recuperação e retorno do investidor estrangeiro no segundo semestre de 2009 a patamares de participação de momentos de pré-crise. "Este movimento deve acentuar-se nos próximos meses", prevê a consultoria.

 

A Price também destaca o setor financeiro dentre aqueles que registraram consolidação, embora alimentos, tecnologia da informação (TI), química e petroquímica - incluindo higiene e limpeza e cosméticos -, varejo, serviços e produtos de consumo (duráveis e não duráveis) tradicionalmente registrem participação relevante no volume de negócios.


 

 

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