Fundos e imóveis de mãos dadas

O mercado de títulos com garantia de investimentos imobiliários, em especial o de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e de cotas de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), deve se consolidar e tornar-se uma opção de investimento que substitua parte das aplicações em imóveis. Neste mercado, grandes corporações repassam seus créditos a receber para um gestor. Esse gestor reestrutura um fundo. As cotas são vendidas para investidores. O antigo "dono" dos créditos consegue receber os recursos antecipadamente. E o investidor conta com mais uma opção de aplicação financeira. Espera-se que esse novo mercado repita em 2006 o vigor apresentado no ano passado e se consolide como alternativa de aplicação tanto para pessoa física quanto para investidores qualificados. No ano passado, as emissões de CRIs chegaram a R$ 2 bilhões, quase três vezes mais que o valor de 2005. Na área dos fundos imobiliários, a boa notícia ficou por conta da isenção de IR, o que deverá estimular a revenda das cotas e o ingresso de novos FIIs em bolsa. Hoje, dos 64 fundos imobiliários em atividade no País, cujo patrimônio total alcança R$ 2,5 bilhões, apenas 12 negociam na Bovespa. Dentre as medidas que impulsionaram a indústria em 2005 e contribuirão para desempenho ainda melhor neste ano, figuram a redução da taxa Selic e isenção do Imposto de Renda sobre ganho de capital com a venda de imóvel por pessoa física e sobre rendimentos distribuídos por FIIs de varejo. Há também o maior volume de recursos para o financiamento imobiliário (que está na origem das operações com CRIs) e o estabelecimento de regras que ampliam a segurança dos contratos no setor de imóveis. A conciliação desses fatores, avalia o diretor da Brazilian Securities e da Brazilian Mortgages, Fábio Nogueira, vai fazer com que, cada vez mais, recursos imobilizados passem ao mercado. "Os produtos com lastro imobiliário vivem o melhor momento da história", afirma ele. A entrada de novos participantes neste mercado, o maior volume de emissões e a padronização dos contratos que dão origem às operações que viabilizam o negócios também pesarão positivamente no desempenho do setor, segundo o superintendente de Registro da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Carlos Alberto Rebello. Uma das mais recentes operações dessa natureza, estruturada pela Brazilian Securities para o Pão de Açúcar, envolveu a emissão de nada menos que R$ 1,028 bilhão em títulos, equivalente a mais da metade do valor apurado no ano passado. Pouco antes, a Rio Bravo Securitizadora montou uma captação similar, de R$ 200 milhões, para a Petrobras.

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