Fundos elevam participação na dívida pública de 35% para 48%

Os fundos de investimento passaram a deter uma participação maior de títulos da dívida pública brasileira durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A fatia, que era de 35% do total de papéis emitidos pelo Tesouro Nacional no início de 2003, passou para cerca de 48% em novembro do ano passado. As informações são de relatório do site Fortuna, com base em dados do Tesouro Nacional. Nos últimos quatro anos, a composição das carteiras também registrou alterações significativas. Segundo o Fortuna, a participação das LFTs (letras do Tesouro indexadas à taxa Selic) em relação ao total de títulos públicos detidos pelos fundos foi reduzida pela metade, de 80% para 40%. No mesmo período, a fatia das LTNs (papéis prefixados), que era insignificante quatro anos atrás, praticamente igualou a das LFTs. Os números indicam ainda o avanço dos títulos vinculados a índices de preços, principalmente nos últimos 12 meses, para aproximadamente 18%. Multimercados Um dos reflexos dessa mudança no panorama do mercado foi o avanço dos portfólios multimercados, em especial os fundos de aplicação em cotas (FACs) exclusivos, destacou o diretor do Fortuna, Marcelo d'Agosto. Esses produtos ganharam um impulso adicional nos últimos dois anos, com o estabelecimento das alíquotas de imposto de renda diferenciadas conforme o prazo da aplicação. Enquanto os FACs multimercados exclusivos podem efetuar aplicações e resgates em diversas carteiras sem o custo da alíquota de IR adicional para movimentações em intervalos inferiores a dois anos, na maior parte dos fundos de varejo o cliente não consegue obter o mesmo benefício, explicou D'Agosto. Com isso, a quantidade de FACs multimercados em operação, que era de 1.370 em 2004, passou para 1.883 este ano. De acordo com o Fortuna, a disputa nesse segmento tornou-se acirrada. Em número de fundos exclusivos dessa categoria, a liderança pertence ao Itaú, com 14%, seguido de perto por UBS Pactual (12%), Hedging Griffo + Credit Suisse (12%), Unibanco (11%) e HSBC (6%). Segundo D'Agosto, o fim do atual sistema de alíquotas diferenciadas poderia tornar a movimentação das aplicações financeiras mais eficiente e contribuir para melhorar ainda mais o perfil da dívida pública. Assim, o investidor de um fundo de varejo que possui uma aplicação em um referenciado DI, por exemplo, poderia aproveitar um determinado momento de mercado e migrar para um renda fixa sem se preocupar com as alíquotas de IR, citou. "O sistema tributário pode ter cumprido seu papel para acelerar o alongamento da dívida, mas hoje mais atrapalha do que ajuda", analisou o diretor do Fortuna.

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