Fundos multimercados: arriscados, mas lucrativos

Os fundos multimercados são a versão brasileira dos hedge funds internacionais, uma das novidades mais excitantes - e, para alguns, mais perigosas - do mercado financeiro global nas últimas décadas. Os hedge funds, cujo patrimônio total subiu US$ 57 milhões para US$ 969 bilhões entre 1981 e junho de 2006, fazem aplicações mais especulativas e arriscadas do que os produtos financeiros convencionais, mas, em compensação, trazem geralmente retornos mais altos para os cotistas. O risco, é claro, é que as estratégias dêem muito errado, como aconteceu com o Long Term Capital Management (LTCM), um hedge fund norte-americano, com dois prêmios Nobel de Economia (Myron Scholes and Robert C. Merton) no Conselho, que quase quebrou em 1998, provocando pânico na economia global por causa da sua gigantesca alavancagem (o tamanho das apostas, comparado com o capital). Outro episódio célebre da história dos hedge funds foi o bem-sucedido ataque especulativo do megainvestidor George Soros contra a libra, no início da década de 90, forçando a desvalorização da moeda britânica. Hoje, mais do que nunca, os hedge funds são vistos com cautela pelas autoridades financeiras e monetárias das principais economias globais. Um dos problemas é que estes fundos - cujo número subiu de 8 para 6.445 entre 1981 e 2006 - fazem muitas operações complexas com instrumentos financeiros derivativos, o que nem sempre deixa claro o tamanho e a natureza dos riscos que potencialmente podem abalar os mercados. Por outro lado, a capacidade desses instrumentos de decompor e redistribuir os diversos tipos de risco é vista por importantes autoridades - como o atual e o ex-chairman do Fed, banco central americano, Ben Bernanke e Alan Greenspan - como um dos vários fatores que sustentam essa fase de crescimento global rápido, estável, duradouro e com baixa inflação. Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC), que trabalhou com Soros e hoje está à frente da Gávea, gestora de fundos no Brasil, diz que os hedge funds representam uma inovação positiva porque se especializam em diferentes tipos de risco, prestando serviços para investidores mais sofisticados. "Aqueles riscos acabam saindo do sistema financeiro e bancário, o que é bom". Ele frisa ainda que o rótulo hedge fund se aplica a inúmeros tipos diferentes de produtos, com as mais variadas estratégias. Ilan Goldfajn, que trabalhou com Fraga no BC e recentemente abriu a Ciano, outra empresa de fundos com aquelas características, observa que a tomada de risco nos melhores hedge funds é acompanhada de todo um trabalho de controle quantitativo dos riscos, o que tipicamente envolve doutores em Economia ou até mesmo em Matemática

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