Fundos multimercados de varejo sentem mais queda da Bolsa, apura estudo

Como previsto, os fundos de investimento das categorias ações e multimercados - que em geral assumem maior risco - foram os que mais sentiram a turbulência no mercado financeiro e a queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no dia 27 de fevereiro. No caso específico dos multimercados, porém, os portfólios oferecidos pelos bancos de varejo sofreram perdas maiores do que aqueles sob responsabilidade de gestores independentes e das chamadas butiques (corretoras e bancos de investimento). As conclusões são de estudo do site Fortuna, especializado no acompanhamento do setor. Do total dos 274 multimercados analisados, aproximadamente 57% tiveram desvalorização acima da perda máxima esperada em um dia, representada pelo VaR (value at Risk; medida que indica a maior perda esperada de um ativo ou carteira), na terça-feira da semana passada. Entre os bancos de varejo, a queda superior ao VaR ocorreu em 74% dos portfólios distribuídos, contra 57% das butiques e 39% dos gestores independentes, de acordo com o site. Na análise do diretor do Fortuna, Marcelo d'Agosto, o melhor desempenho dos fundos independentes pode ser atribuído às estratégias de investimento menos expostas apenas às oscilações da bolsa. "Nesse caso, como as correlações se mantiveram relativamente constantes, a diversificação proporcionou um desempenho melhor", observou. Segundo o especialista, ao contrário do que se imagina, na média, o nível de perda máxima assumido pelos multimercados de varejo é equivalente ao dos produtos oferecidos aos demais públicos. Por outro lado, ele lembrou que a medida de risco de uma carteira não se resume apenas ao VaR, ou seja, o comportamento dos fundos na queda do mercado na semana passada não é regra para crises futuras. Entre os fundos de ações, cerca de 98% registraram perdas maiores do que poderiam ser normalmente esperadas. No dia 27, o Ibovespa recuou 6,63% e a perda média dos fundos de ações analisados foi de 4,48%. "Em termos relativos, o Ibovespa (principal índice da bolsa) caiu 3,5 vezes mais do que seria esperado, e a maioria dos fundos de ações teve perdas na faixa de 3 a 4 vezes", conforme D'Agosto. Apesar do recuo da Bovespa e dos resgates dos portfólios do poder público na semana passada, o patrimônio líquido da indústria de fundos de investimento fechou o mês de fevereiro em R$ 1,003 trilhão, acima, portanto, do patamar de R$ 1 trilhão alcançado no dia 15 de fevereiro, ainda de acordo com números do Fortuna.

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