Fusão Quilmes/Brahma está ameaçada pela justiça argentina

A fusão entre a Quilmes e a Brahma está ameaçada pela decisão da Justiça argentina. Ambas empresas tinham apresentado apelação contra a resolução que exigiu a suspensão da fusão, mas o recurso não foi aceito. Por uma demanda da cervejaria alemã Isenbeck, a Sala III da Câmara Civil e Comercial Federal deu um prazo à Comissão Nacional de Defesa da Concorrência (CNDC), para que tome medidas cautelares sobre o assunto.Pouco mais de um ano depois da assinatura do acordo de compra da Quilmes por parte da Ambev, ocorrida em maio de 2002, a CNDC aprovou a união das duas cervejarias, em janeiro de 2003. Mas condicionou a aprovação à venda das marcas Bieckert, Palermo e Norte, à planta da Brahma da cidade de Luján e à fábrica de malte de Llavallol, o que ainda não ocorreu. Agora, a Justiça deu um prazo de 20 dias úteis, até 11 de outubro, para que Quilmes e Brahma funcionem separadamente, segundo informações do jornal El Cronista.Na resolução anterior, de 24 de agosto, a Justiça disse que ambas as empresas devem abster-se de realizar "em forma conjunta qualquer ato relacionado com a venda, comercialização, distribuição publicidade, marketing, faturamento dos produtos que elaboram fabricam e/ou distribuem", conforme documento divulgado pela Sala III da Câmara Civil e Comercial Federal. As duas empresas trabalham juntas desde 2003 com a razão social CCBA. Tempo suficiente para que a decisão de obrigá-las a separar-se provoque uma prejuízo de US$ 18,1 milhões por ano.Em seu recurso, a Brahma expôs que estava autorizada pela CNDC para a fusão de suas operações com as de Quilmes. E que, por essa razão, se desvincularam mais de 300 distribuidores da marca e mais de 400 pessoas da estrutura comercial e administrativa de CCBA. "A comercialização conjunta permitiu que os produtos de Brahma tivessem acesso a mais de 300 mil pontos de venda", argumentou. "Brahma não conta com uma rede de distribuição própria, portanto a impossibilidade de operar em forma unificada lhe impedirá reinstalar-se por muito tempo no mercado, o que produziria um benefício para Isenbeck e outros competidores".Desde que a fusão entre Brahma e Quilmes foi anunciada, a Isenbeck ofereceu uma dura oposição na Justiça e junto à população argentina através de campanha de marketing. A alemã agora conseguiu interromper o processo de fusão iniciado em 2003. A Agência Estado tentou falar com algum porta-voz da Quilmes-Brahma para ouvir suas explicações sobre o caso, mas a assessoria de imprensa informou que não está fazendo comentário sobre o assunto.

Agencia Estado,

18 de setembro de 2006 | 12h32

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