Fusões batem recorde e devem manter ritmo forte em 2011

Entre janeiro e setembro, as operações totalizaram R$ 144,8 bilhões, o que já representa um recorde, mesmo em comparação com todo o ano 2007

Vinícius Pinheiro, da Agência Estado,

28 de dezembro de 2010 | 12h00

Grandes negócios nos setores de telecomunicações, aviação, financeiro e energia movimentaram o mercado de fusões e aquisições em 2010. Entre janeiro e setembro, as operações totalizaram R$ 144,8 bilhões, o que já representa um recorde, mesmo em comparação com todo o ano 2007, até então o de maior movimentação, com R$ 136,5 bilhões, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Para 2011, a expectativa é de que o mercado se mantenha aquecido, por conta das perspectivas positivas para a economia e o crescente interesse do investidor estrangeiro no País. Mesmo os mais otimistas, porém, avaliam que dificilmente o volume de operações supere o deste ano.

Das dez maiores operações anunciadas até setembro, último balanço disponível, três aconteceram no setor de telecom, inclusive a maior do ano: a compra da participação da Portugal Telecom na Vivo pela Telefônica, por R$ 18,2 bilhões. Os portugueses também protagonizaram outro grande negócio no setor, com a entrada no capital da operadora brasileira Oi, em uma transação avaliada em R$ 9 bilhões. "É difícil imaginar que teremos uma repetição do que ocorreu este ano com o setor de telecom", diz o presidente do subcomitê de fusões e aquisições da Anbima, Bruno Amaral.

O vice-presidente da área de banco de investimento do Itaú BBA, Jean-Marc Etlin, também espera que o ritmo de negócios de fusões e aquisições se mantenha forte, embora com volume menor em relação a este ano, quando houve grandes movimentos de consolidação. No total, foram anunciadas 94 fusões e aquisições entre janeiro e setembro, ante 68 no mesmo período do ano passado. Até setembro, o banco liderava o ranking da Anbima - que considera apenas as operações acima de R$ 20 milhões - por número de negócios, enquanto o Morgan Stanley era o líder em volume.

O próximo ano deve ser marcado ainda pela volta com mais apetite do investidor estrangeiro, principalmente da Europa e Estados Unidos, que ficaram praticamente fora do mercado no primeiro semestre de 2010 em meio às incertezas econômicas provocadas pela crise financeira.

Na análise do advogado André de Almeida, sócio do escritório Almeida Advogados, os estrangeiros devem continuar agressivos na compra de empresas brasileiras, apesar de os ativos nacionais estarem caros para compra, tanto por conta da grande procura como pela apreciação do real em relação do dólar. "A valorização das ações de uma empresa listada lá fora ao anunciar uma aquisição no Brasil mais do que compensa o valor a mais que ela paga no negócio", diz.

Entre os grandes negócios recentes fechados por estrangeiros no País está a entrada de um consórcio de nove investidores, liderado pelos três maiores fundos soberanos do mundo (Cingapura, China e Abu Dhabi), no capital do BTG Pactual. Com o aporte de capital de US$ 1,8 bilhão, o grupo passou a deter aproximadamente 18,6% do capital do banco de investimento brasileiro.

Para Luís Motta, sócio da empresa de auditoria e consultoria KPMG, a grande novidade no mercado este ano foi o avanço dos asiáticos, mais precisamente da China. Para ele, a presença dos chineses nos grandes negócios de fusões e aquisições no País será cada vez mais frequente. "Qualidade de ativos no Brasil e recursos disponíveis na China não faltam", afirma. Uma amostra da disposição dos chineses foi o aporte de US$ 7,1 bilhões da petroleira Sinopec para deter uma participação de 40% subsidiária brasileira da Repsol, que se preparava para abrir o capital na BM&FBovespa.

Apesar do avanço dos estrangeiros, Motta destaca o aumento de negócios envolvendo empresas brasileiras, tanto no exterior, em movimentos de internacionalização, como no próprio País. "Capitalizadas com o aporte de fundos de private equity ou após realizarem ofertas de ações, as companhias nacionais estão liderando movimentos de consolidação", diz o executivo da KPMG. O volume de aquisições entre empresas brasileiras somou R$ 22,6 bilhões de janeiro a setembro deste ano, enquanto as aquisições de estrangeiras por brasileiras atingiu R$ 44,1 bilhões no período, de acordo com os dados da Anbima.

Outra tendência que também deve se intensificar em 2011 é a das grandes transações entre empresas latino-americanas, segundo os especialistas. O principal negócio deste ano foi a criação da Latam, formada da fusão entre a brasileira TAM e a chilena Lan e avaliada em R$ 14,4 bilhões.

De olho no potencial desse mercado, as entidades que compõem o Brain (Brasil Investimentos e Negócios), iniciativa que pretende transformar o Brasil em um polo regional de negócios, querem propor a criação de um marco regulatório unificado para os mercados nos países da América Latina.

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