Futuro da Varig ainda é incerto

Um mês e quatro dias após ter sido vendida para a VarigLog em leilão, o futuro da Varig permanece incerto. A empresa precisa vencer pelo menos duas etapas importantes para afastar o fantasma da falência. A primeira está prevista para esta sexta-feira, quando a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deverá anunciar se concede ou não o certificado de homologação para a Varig poder operar.A segunda etapa deverá acontecer na semana que vem, quando os funcionários e ex-funcionários votarão, por meio de um plebiscito, o acordo coletivo trabalhista. Os novos investidores aguardam esses dois sinais verdes para anunciar novos investimentos (Air Canada) e também o nome de Maria Silvia Bastos como presidente da companhia. Hoje ela está trabalhando como consultora.O executivo Lap Chan, do fundo Matlin Patterson, que adquiriu a Varig em sociedade com Marco Antonio Audi, passou os últimos três dias em intensas reuniões com trabalhadores, em diferentes capitais do País. Segundo relato de participantes, Lap liderou as reuniões e fez um apelo para que os funcionários assinem o acordo coletivo e desistam de ações judiciais. Segundo funcionários, Lap ameaçou abandonar o investimento, caso haja uma enxurrada de ações judiciais e a justiça do trabalho decida que a nova Varig deve arcar com o passivo trabalhista.Enquanto Gol e TAM, que detêm juntas quase 90% do mercado, estão ampliando frota e consolidando suas participações de mercado, a Varig amarga hoje o 5º lugar, atrás até mesmo de BRA e OceanAir. Com uma frota de três MD-11 e seis Boeing 737, a empresa voa hoje para apenas 8 cidades no Brasil, além de Buenos Aires e Frankfurt. Na Ponte Aérea Rio-São Paulo são 36 freqüências. A empresa garante que tem operado com "regularidade e pontualidade" e que, a partir de amanhã, vai retomar os vôos para Caracas, Curitiba e Brasília.A Varig remanescente, que funcionará sob a marca Nordeste, também tem planos de voltar a voar. Segundo seu gestor judicial, Miguel Dau, dentro de seis meses deve ser anunciado o plano de negócios. No período, ele manterá um quadro de 100 funcionários para administrar uma dívida de R$ 7 bilhões. "A prioridade é recuperar créditos para começar a pagar os funcionários", disse Dau.

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