Gestores de recursos criam associação de investidores

Um grupo formado por 27 gestores de recursos que atuam no País constituiu hoje a Associação de Investidores do Mercado de Capitais (Amec). A nova entidade defenderá os interesses dos investidores, em especial os cotistas de fundos de ações e fundos multimercado, em suas relações com as companhias abertas. A Amec será presidida pelo ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, da Mauá Investimentos. A associação terá como vice-presidente Marcos Duarte Santos, da Pólo Capital Gestão de Recursos. A diretoria terá outros dez integrantes, de gestoras independentes e vinculadas a instituições financeiras, e terão mandato de dois anos. Na diretoria, há membros, por exemplo, da BBDTVM (Nélio Henriques Lima), da Bradesco Asset Management (Robert John van Dijk), do Itaú (Walter Mendes de Oliveira Filho), e da Unibanco Asset Management (Pedro Augusto Botelho Bastos). Segundo Figueiredo, a Amec foi formada após fracassar a tentativa de união com a Associação Nacional dos Investidores do Mercado de Capitais (Animec), que representa os acionistas minoritários. Inicialmente, as gestoras iriam passar a ser representadas pela Animec, e a negociação durou um ano e meio. Entretanto, por uma questão de "diferença de foco", a união não foi possível. De acordo com Duarte Santos, a parceria com a Animec também foi impedida pela dificuldade de se criarem mecanismos de financiamento da associação. "Os gestores de recursos querem uma entidade independente e com condições financeiras de se manter ativa", afirmou. Segundo ele, a Animec tinha problemas de orçamento, porque os acionistas minoritários não costumavam contribuir com a entidade. No caso da Amec, a contribuição será feita pelos próprios gestores membros da associação. Figueiredo acredita que a criação da Amec decorre do desenvolvimento do mercado de capitais. "Um número cada vez maior de empresas está se financiando pela Bolsa, e os fundos de investimento participam ativamente deste mercado", disse. Segundo ele, a entidade terá duas linhas de atuação: defender os investidores diante de eventuais problemas com empresas do mercado, e sugerir mudanças normativas aos órgãos reguladores, especialmente a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A primeira reunião de diretoria da nova associação será na próxima semana. Os problemas entre investidores e empresas serão levados à discussão na Amec pelos gestores de recursos, que são os membros da entidade. Eventualmente, a associação também pode receber reclamações de pequenos investidores que aplicam diretamente em ações das companhias, ao invés de utilizar fundos de investimento.

Agencia Estado,

02 de junho de 2006 | 07h00

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