Gestores temem que ajuste fiscal afete mobilidade urbana

O ajuste fiscal previsto para o próximo ano e o potencial impacto nos investimentos em mobilidade urbana preocupa alguns gestores públicos. Questionados sobre o assunto em evento sobre o setor, representantes de governos municipais e estaduais procuraram enfatizar a necessidade de realização de novas obras e projetos para propiciar a melhora do transportes dentro das grandes cidades, defendendo que o setor deveria ser poupado.

LUCIANA COLLET, Estadão Conteúdo

03 Dezembro 2014 | 15h33

"Há uma preocupação, sim", disse o presidente da empresa de Transportes e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans). "Esperamos conseguir (ter os recursos). Os investimentos em mobilidade são extremamente importantes, os movimentos de junho de 2013 são apenas um sintoma dessa exigência. Vamos torcer para que, apesar do momento preocupante, consigamos", disse.

Já o coordenador de Planejamento e Gestão da Secretaria de Transportes Metropolitanos, Saulo Pereira Vieira, procurou salientar a necessidade de garantir os investimentos na área, mesmo em meio ao cenário de maior aperto. "Com o nível de carência que existe nas regiões metropolitanas, não tem como fugir", disse. Também presentes na mesa de debates, representantes do governo do Estado do Rio de Janeiro e da prefeitura de Porto Alegre não teceram declarações a respeito. O secretário municipal de Mobilidade Urbana gaúcho, Vanderlei Cappellari, preferiu citar alguns dos projetos futuros previstos para a capital, incluindo o metrô, salientando a expectativa de contar com recursos federais.

A situação é similar à de Belo Horizonte, que também tenta ampliar o sistema metroviário dos atuais 28 quilômetros para 45 quilômetros, numa primeira etapa, com investimentos estimados em R$ 7 bilhões, provenientes em parte de recursos federais diretos, de financiamento público - com negociações já em andamento com o BNDES e Caixa - e do setor privado.

Adicionalmente, Belo Horizonte possui um pacote de R$ 380 milhões de projetos já aprovados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Mobilidade, a serem desenvolvidos nos próximos dois anos.

O governo de São Paulo, por sua vez, possui três projetos enquadrados no PAC, que somam mais de R$ 1 bilhão. No entanto, Vieira comentou que os recursos até agora não foram viabilizados. "Estamos tocando projetos que tinham recursos previstos do PAC com recursos do Tesouro do Estado", comentou.

O representante paulista também lembrou do relativo baixo volume de recursos federais previstos para mobilidade. Segundo ele, o governo paulista possui atualmente cerca de R$ 48 bilhões em projetos contratados, entre linhas de metrô, trens, veículo leve sobre trilhos (VLT) - e estão previstos adicionais R$ 180 bilhões em obras futuras, considerando o planejamento de longo prazo.

"Quando vemos o programa do governo federal de atender todo País com R$ 50 bilhões (PAC), vemos a necessidade de criar outros mecanismos de financiamento" para o setor, disse. O governo de São Paulo tem buscado recursos para obras no setor de transporte e logística junto a organismos multilaterais.

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