Gol negocia a compra da Varig, mas a chilena LAN continua no páreo

Estão bastante avançadas as negociações da Gol com o fundo Matlin Patterson para a aquisição da Nova Varig. Segundo fontes do mercado financeiro próximas à negociação, a venda está ?praticamente fechada?. ?As negociações estão no nível dos detalhes, de garantias?, afirmou a fonte. Para evitar riscos de contaminação da Gol, que tem ações nas bolsas de Nova York e São Paulo, o negócio seria fechado por uma empresa chamada Águia, pertencente à família Constantino, dona da Gol.A Gol, no entanto, não está sozinha. A chilena LAN, que no dia 31 de janeiro anunciou um empréstimo de US$ 17,1 milhões à Nova Varig, valor passível de ser convertido em ações, continua na disputa. A empresa chegou a fazer uma ?due dilligence? (análise de dados financeiros) na Varig, mas estaria analisando a receptividade de sua proposta junto ao governo brasileiro. Pelo contrato do empréstimo, a LAN tem preferência na venda e terá de ser ressarcida caso o Matlin decida realmente vender sua participação para a Gol. Tanto a Gol quanto a LAN encontram apoio a suas propostas junto a diferentes autoridades graduadas do governo. Fontes em Brasília revelam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já encomendou a redação de uma Medida Provisória aumentando de 20% para 49% o limite de participação de empresas estrangeiras em companhias aéreas brasileiras. A idéia de fortalecer uma terceira empresa que faça frente ao duopólio de Gol e TAM tem grandes defensores dentro do PT.O Matlin tem pressa em se desfazer do negócio. O prejuízo mensal da nova Varig, que detém hoje apenas 4,57% do mercado doméstico, é de cerca de US$ 20 milhões, segundo fontes do setor. O maior rombo vem das operações internacionais, sobretudo Frankfurt, onde a taxa de ocupação é de 54%. Sem aviões para cumprir com as concessões de vôos a que tem direito, a Varig precisa de uma injeção imediata de capital para manter seu valor, sob risco de perdê-las.A empresa tem hoje 18 aviões, sendo que dois deles (modelo MD-11, usados em rotas de longo curso), serão devolvidos nas próximas semanas. Para não perder a concessão da rota de Frankfurt, hoje atendida com os MD-11, a Varig está fazendo uma verdadeira ginástica operacional. A empresa negocia com a Varig antiga o subarrendamento de dois Boeings 767, pertencentes à espanhola EuroAtlantic e usados em operações de fretamento. Para realizar o vôo sem escalas, dado que o novo avião tem menor autonomia, a empresa não poderá levar muita carga no porão, diminuindo sua receita. Para analistas do setor aéreo, o interesse da Gol na Varig se dá tanto no mercado internacional quando no doméstico. No doméstico, o interesse é pelos slots (vagas para pousos e decolagens) no Aeroporto de Congonhas. ?Ninguém tem tantos slots quanto a Varig em Congonhas e está é a única chance de a Gol aumentar sua presença no aeroporto, que é o mais rentável do País?, afirma o analista Paulo Bittencourt Sampaio. A Varig tem hoje 4,57% do mercado doméstico e quase a totalidade desse tráfego passa por Congonhas. No mercado internacional, a Gol manteria a bandeira Varig, que hoje voa para 4 destinos: Frankfurt, Caracas, Bogotá e Buenos Aires. Para garantir as demais freqüências, o novo comprador tem até meados de julho para retomá-las. Caso contrário, a Varig perde as concessões. Para tanto, a Gol já estaria negociando com três empresas de leasing 5 Boeings 777 que pertenciam à Varig. Questionada pela CVM sobre o negócio, após o vazamento de informações, a Gol não negou a informação. Limitou-se a dizer, em comunicado, que ?investiga e considera as diversas oportunidades de aquisições, joint ventures e combinações de negócios (...). Nesse contexto, a companhia até o presente momento não tomou decisão no sentido de efetuar uma aquisição.?

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